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quarta-feira, junho 10, 2026

Análise: Governo do Irã tenta projetar ideia de resiliência contra os EUA


O presidente Donald Trump ameaçou retomar ataques contra o Irã, mas o governo iraniano respondeu com firmeza. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, classificou as ameaças americanas não como demonstração de força, mas como “sinal de desespero”.

Para a analista de Internacional Fernanda Magnotta, no CNN 360°, na declaração do presidente iraniano se insere em uma lógica mais ampla de construção de narrativas. “O presidente iraniano, quando diz algo desse tipo, no final das contas está tentando projetar uma ideia de resiliência”, afirmou Magnotta, acrescentando que o objetivo é transmitir a imagem de que o Irã resistiu à pressão militar americana mais recente.

Segundo Magnotta, tanto as declarações americanas quanto as iranianas têm como propósito “enquadrar a realidade de acordo com a própria conveniência”. Do lado americano, as ameaças de Trump buscariam apresentar a superioridade militar dos Estados Unidos e utilizá-la como instrumento de coerção.

“O que o presidente Trump tenta fazer pela via da ameaça é manter a pressão sobre o Irã para tentar obter algum tipo de concessão sem necessariamente escalar o conflito do ponto de vista prático”, explicou a analista.

Magnotta destacou ainda que o momento atual é “bastante particular”, marcado por um cessar-fogo considerado frágil e por dúvidas sobre se o conflito de fato se encerrou. Ela citou que o secretário de Estado dos Estados Unidos teria dito ao Congresso americano que o conflito já teria se encerrado, sob a ótica americana.

Quem venceu o conflito?

A analista apontou que a questão sobre quem saiu vencedor do confronto depende diretamente dos objetivos que cada lado havia estabelecido.

Pelo lado americano, os objetivos declarados seriam militares: retardar o enriquecimento de urânio, reduzir a capacidade do programa balístico de mísseis e fragilizar as forças navais do Irã. Caso esses objetivos tenham sido atingidos, os Estados Unidos poderiam se declarar vencedores.

Por outro lado, os iranianos também podem reivindicar a vitória com base em argumentos distintos. Magnotta explicou que, embora o Irã tenha sofrido perdas táticas e operacionais, o objetivo político de derrubar o regime não foi alcançado.

Além disso, o país teria conquistado vantagens no campo econômico, especialmente pelo que ocorreu no Estreito de Hormuz, e mantido seu regime — o que, segundo a analista, seria significativo para uma potência regional diante de uma superpotência. “Na política internacional, construir discurso e moldar narrativas faz toda a diferença”, concluiu Magnotta.



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