A filha do bicheiro Piruinha, Monalliza Neves Escafura, foi presa em sua casa em Ipanema, na manhã desta quinta-feira (28), durante operação do Ministério Público do Rio de Janeiro.
Em março deste ano, o GAECO/MPRJ ofereceu nova denúncia contra Monalliza por organização criminosa, apontando-a como líder da estrutura armada voltada à exploração do jogo do bicho, de máquinas caça-níqueis e outras modalidades ilegais de jogos de azar.
José Caruzzo Escafura, o Piruinha, morreu em janeiro de 2025, aos 94 anos. Segundo a denúncia, após a morte de seu pai em janeiro de 2025, Monalliza assumiu o comando direto ao menos de parte dos pontos clandestinos do clã Escafura, passando a coordenar as atividades operacionais, financeiras e a ocultação dos valores obtidos com a exploração ilegal.
As investigações apontam, ainda, movimentação superior a R$ 500 mil, provenientes da exploração clandestina de jogos de azar, além da utilização de terceiros como laranjas para ocultação da origem dos recursos ilícitos.
O mandado foi expedido pela 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa.
Quem é Piruinha
Um dos líderes da cúpula do jogo do bicho no Rio, Piruinha ingressou na contravenção na década de 1950, quando começou a gerenciar bancas na região da Abolição, Piedade e Inhaúma, área que exerceu bastante influência no auge do bicho. Antes de entrar na contravenção, Escafura foi motorista de lotação.
A partir da década de 1970, já era considerado um dos principais bicheiros da cidade, tendo sob seu domínio também os bairros de Madureira, Cascadura e Maria da Graça, todos na Zona Norte carioca.
Em 1993, Puruinha e outros 14 indivíduos foram presos e condenados a 6 anos por formação de quadrilha.
À época, o caso teve grande repercussão nacional, pois pela primeira vez, todos os líderes da contravenção carioca foram condenados e presos – as penas chegaram a seis anos de prisão, mas nenhum deles cumpriu na íntegra. A responsável pelo julgamento foi a juíza Denise Frossard, da 14ª Vara Criminal do Rio.
Diferentemente de seus contemporâneos, Piruinha nunca foi líder de uma escola de samba e ganhou menos fama que seus colegas. A família, porém, tem ligação com a Portela e participa da diretoria.
Em junho de 2017, seu filho Haylton Carlos Gomes Escafura, de 37 anos, foi assassinado com a soldado da PM Franciene de Souza em um hotel na Barra da Tijuca. O motivo, conforme as investigações, seria uma disputa por pontos de máquinas caça-níqueis na cidade.
Haylton vinha de idas e vindas da prisão. À época do crime, ele estava nas ruas havia apenas 5 meses, após ser posto em liberdade em janeiro. Em 2012, ele havia sido preso por fraude nas mesmas máquinas que motivaram sua execução.
Na execução, os dois algozes do filho de Piruinha e da mulher arrombaram a porta do quarto do casal e mataram os dois a tiros de pistola e fuzil no banheiro da suíte.
A mulher morta, a PM Franciene, estava lotada na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da favela da Rocinha e estava na corporação desde 2014.



