O GDF (governo do Distrito Federal) e a União voltarão a se reunir nesta quinta-feira (28), às 10h, no STF (Supremo Tribunal Federal), para tentar fechar um acordo que viabilize uma operação de crédito para o BRB (Banco de Brasília), em meio à crise de liquidez após a tentativa de compra do liquidado Banco Master, de Daniel Vorcaro.
As tratativas começaram na terça-feira (26), durante audiência de conciliação conduzida pelo ministro Luiz Fux. Participaram da reunião o ministro da Fazenda, Dario Durigan; a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP); representantes do BC (Banco Central) e o advogado-geral da União substituto, Flavio Roman.
A proposta prevê um empréstimo ao governo do DF com recursos do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), com garantia de um sindicato de bancos públicos e privados. Como contragarantia, o Distrito Federal ofereceria fluxo de receitas futuras.
Após a reunião de terça-feira, Durigan afirmou que a União deverá flexibilizar regras do PAF (Plano de Ajuste Fiscal) do governo do Distrito Federal para permitir uma operação de crédito de maior porte.
“A União se comprometeu, tão logo concluída essa negociação, a flexibilizar os critérios que envolvem o plano de ajuste fiscal do GDF, que hoje limitam em R$ 900 milhões qualquer operação de crédito que o ente poderia tomar”, afirmou.
O ministro também classificou o cenário envolvendo o BRB como “grave” e afirmou que as investigações sobre irregularidades no Master seguem.
Segundo o chefe da equipe econômica, os recursos recuperados nas investigações sobre “atos ilícitos” deverão ser usados para recompor os cofres do governo do DF e do próprio BRB.
Em março de 2025, o conselho de administração do BRB aprovou a compra de 58% do capital do Banco Master.
O negócio entre Master e BRB previa a aquisição do controle da instituição financeira privada pelo banco estatal controlado pelo governo do DF, mas a operação acabou barrada pela diretoria do Banco Central após questionamentos sobre riscos financeiros e regulatórios.
Em novembro de 2025, a PF deflagrou a Operação Compliance Zero, que apura um esquema de venda de títulos de crédito falsos. Na época, o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso pela primeira vez, enquanto o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo.
Em abril deste ano, Henrique Costa também foi detido em uma nova fase da Compliance Zero.
Conciliação no STF
O governo do DF ajuizou uma ação no STF para tentar destravar a operação de socorro ao BRB. O processo foi protocolado em 19 de maio e ficou sob a relatoria do ministro Luiz Fux.
Após pedir manifestação prévia da AGU (Advocacia-Geral da União), representante da União no caso, o ministro convocou a audiência para tratar do assunto.
Como mostrou a CNN Brasil no início de abril, Celina Leão já havia recorrido ao Ministério da Fazenda em busca de alternativas para reforçar a situação financeira do banco.



