O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta segunda-feira (2), em entrevista ao Direto ao Ponto, da Jovem Pan News, que a participação do partido no quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dependerá principalmente da condução da política econômica. O dirigente demonstrou preocupação com o equilíbrio das contas públicas, defendeu uma aproximação do presidente com os partidos de centro e negou ter recebido convite para assumir um ministério.
“A intensidade da participação do PSD nessa gestão vai depender muito das propostas e da maneira como o presidente apresentar, em especial como será a condução da sua política econômica”, afirmou.
Kassab disse que existe uma expectativa negativa em relação à situação fiscal do país e que as primeiras sinalizações de Lula sobre a equipe econômica serão determinantes para definir a relação entre o PSD e o Palácio do Planalto.
“Hoje existe uma expectativa ruim em relação ao equilíbrio fiscal, em relação às contas públicas”, declarou.
As afirmações ocorrem em meio às negociações para a formação do próximo governo. Conforme apurou a Jovem Pan, PSD, MDB e União Brasil largaram na frente nas articulações para conquistar ou manter ministérios no quarto mandato de Lula, que começa em janeiro de 2027. O presidente também iniciou conversas com Progressistas e Republicanos para ampliar sua sustentação no Congresso.
Questionado sobre a possibilidade de integrar pessoalmente a Esplanada dos Ministérios, Kassab negou que tenha recebido qualquer convite.
“Na verdade, Bruno, não é sondagem. O que existe é especulação”, afirmou.
Diante de uma nova pergunta sobre quais condições estabeleceria para aceitar um eventual convite, o presidente do PSD respondeu:
“Não, não teve convite, então não tem condição nenhuma. Seria até uma arrogância, não é? É muito honroso ser ministro para qualquer brasileiro.”
O dirigente ressaltou que suas avaliações sobre a aproximação com o governo dizem respeito à posição institucional do PSD. A escolha dos ministros, acrescentou, é uma prerrogativa do presidente da República.
Kassab defende que Lula faça governo mais próximo do centro
Apesar das ressalvas econômicas, Kassab afirmou que deseja sucesso ao presidente reeleito e que o PSD está disposto a contribuir para o próximo governo, preservando sua independência política.
“Qualquer que fosse o presidente eleito, teria da nossa parte os votos de boa sorte e o nosso sentimento de poder transmitir sucesso ao governo. Somos brasileiros, se o povo escolheu, vamos ajudar para que tenhamos um bom governo”, disse.
O presidente do PSD ponderou, no entanto, que o apoio não significa alinhamento automático às decisões do Palácio do Planalto. Segundo ele, o partido precisa manter a liberdade de criticar medidas que contrariem suas convicções e seu programa.
Kassab também defendeu que Lula amplie o diálogo com as forças políticas de centro, movimento que, em sua avaliação, permitiria ao presidente construir uma base parlamentar mais ampla e governar com maior tranquilidade.
“Na medida em que o Lula fizer um governo também ao centro, ele vai ampliar o seu leque de apoios e vai ter muito mais tranquilidade para governar”, afirmou.
Para Kassab, a ampliação das alianças não exigiria que Lula abandonasse os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral. O dirigente avaliou que o presidente poderia preservar sua agenda social e, ao mesmo tempo, adotar medidas para melhorar a confiança dos investidores.
A composição do Congresso eleito em outubro reforça a importância dessas negociações. O PSD terá 43 deputados federais e cinco senadores a partir de fevereiro de 2027. Já o PL, partido de Flávio Bolsonaro, terá a maior bancada individual das duas Casas, com 121 deputados e 28 senadores.
Durante a entrevista, Kassab também afirmou estar surpreso com as divisões existentes entre as forças políticas de centro. Ao comentar o futuro do PSD, disse que a legenda apresenta crescimento orgânico e projetou que chegará ainda mais forte às eleições de 2030.
Política econômica será determinante para apoio do PSD
Ao aprofundar sua avaliação sobre a economia, Kassab afirmou que o próximo governo Lula precisará demonstrar compromisso com a responsabilidade fiscal e oferecer condições para a retomada dos investimentos.
O dirigente comparou o cenário atual com os primeiros mandatos do petista, quando, segundo sua avaliação, o Brasil se beneficiou de um ambiente internacional favorável e de condições econômicas que permitiram a expansão dos programas sociais.
Kassab reconheceu a importância de iniciativas como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Luz para Todos, mas questionou a sustentabilidade dos gastos públicos sem a identificação das fontes de financiamento.
“Quem criticaria aqui no Brasil Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Luz para Todos? Mas e os recursos? Da onde vem?”, questionou.
O presidente do PSD também criticou o nível dos juros no país e afirmou que o custo do crédito dificulta a realização de investimentos, inclusive no mercado imobiliário.
“Com esses juros, por exemplo, quem é que quer investir?”, disse.
Na avaliação de Kassab, Lula precisará adotar medidas para recuperar a confiança do mercado e reduzir as incertezas sobre o futuro das contas públicas. Ele também defendeu a necessidade de ajustes nas despesas do governo, sem depender de novos aumentos da carga tributária.
O dirigente citou a reação dos mercados financeiros ao resultado eleitoral como exemplo da preocupação dos investidores com a condução da economia. Segundo ele, caberá ao presidente reeleito apresentar medidas capazes de reverter esse cenário.
“Ele que está com a bola nos pés e precisa dar um passo de tal maneira que essa expectativa seja revertida”, afirmou.
Kassab encerrou sua avaliação destacando que a escolha da equipe econômica será um dos principais sinais sobre a direção do quarto mandato de Lula.
“Queremos saber quem estará no comando da economia e qual será a sua postura perante essas circunstâncias”, declarou.
Kassab vê PT fortalecido após eleições
O presidente do PSD também avaliou os efeitos políticos da eleição presidencial de outubro. Segundo Kassab, o PT saiu fortalecido da disputa, passando por um processo de renovação após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro.
O dirigente afirmou que o partido do presidente renasceu e rejuvenesceu com o resultado das urnas. Também destacou a importância das redes sociais para a disputa política e disse que as plataformas digitais vieram para ficar.
Lula foi reeleito em 25 de outubro com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de aproximadamente 4,43 milhões de votos.
Apesar do fortalecimento político do PT, Kassab reiterou que o sucesso do próximo mandato dependerá da capacidade de Lula de ampliar sua base, dialogar com o centro e estabelecer uma política econômica que ofereça previsibilidade.
O presidente do PSD afirmou esperar que Lula faça um governo mais amplo do que o atual, com maior participação de diferentes forças políticas nas decisões do Executivo.




