A inadimplência de aluguel no Distrito Federal registrou uma leve alta em setembro, fechando o mês com 2,10%, segundo o Índice de Inadimplência Locatícia (IIL) da Superlógica. O número teve um pequeno avanço em relação a agosto, que registrou 2,04%. Mesmo com a elevação, a capital federal manteve o menor índice entre as demais Unidades da Federação analisadas e continuou abaixo da média nacional, registrada em 2,93% no mesmo período.
De acordo com o especialista em mercado imobiliário Daniel Claudino, a estabilidade de trabalho e renda no Distrito Federal, ancorada no funcionalismo público, pode explicar o porquê da capital federal se manter acima da média nacional.
“Essa estabilidade sustenta o servidor e também o comércio e os serviços que vivem do gasto dele. O que tende a empurrar o índice para cima, mesmo que pouco, é a taxa de juros, que endivida as famílias cada vez mais e compete com o aluguel dentro do orçamento”, analisa.
Na região Centro-Oeste, o índice variou de 2,60% em agosto para 2,62% em setembro e manteve a menor taxa de inadimplência do Brasil pelo segundo mês consecutivo. Logo em seguida, as menores taxas foram registradas na região Sul, com 2,70% e no Sudeste, que aparece com 2,76%. As posições mais altas ficaram para o Nordeste, que registrou a maior taxa regional do país com 5,08% ante a 5,07% em agosto e o Norte, que subiu de 4,35% para 4,45%.
Imóveis comerciais lideram inadimplência

Em nível nacional, os imóveis comerciais de até R$1 mil lideraram as maiores taxas de inadimplência do mercado. Apesar disso, demonstraram um recuo no atraso dos pagamentos, e fecharam o mês de setembro em 7,41%.
A mesma faixa de preço nos imóveis residenciais também segue liderando a categoria residencial, atingindo 5,99% em setembro em relação aos 6,13% registrados no mês anterior.
Nos imóveis residenciais, a taxa dos aluguéis acima de R$13 mil saiu de 5,96% em agosto para 5,75% em setembro. Nos comerciais, a mesma faixa apresentou queda com 4,32% fechando o mês. As menores taxas foram registradas nos imóveis residenciais de R$ 2 mil a R$ 3 mil, com 1,72%, e nos comerciais também na mesma faixa de preço, com 3,28%.
Na análise por tipo de imóvel, os imóveis comerciais mantêm a maior taxa do mercado, recuando de 4,22% em agosto para 4,11% em setembro. Nas demais categorias, o indicador também registrou queda: os apartamentos caíram de 2,13% para 2,12%, enquanto as casas passaram de 3,30% para 3,23% no período.

Na região Centro-Oeste, a tendência se manteve. Os imóveis comerciais também lideram o ranking de inadimplência. Em setembro, foram registrados 3,96% de atrasos nos pagamentos do aluguel, uma alta de 0,25 ponto percentual em relação a agosto, que terminou com 3,71%.
Em seguida, aparecem as casas, que recuaram no mês e passaram de 3,59% para 3,29%. Os apartamentos tiveram ligeira alta de 1,71% para 1,73%, mantendo o menor índice entre as categorias.
Na avaliação de Claudino, o padrão é histórico e segue uma lógica: quanto menor a renda e menor o aluguel, maior pode ser a dependência do inquilino no emprego e na renda corrente para pagar. “Qualquer perda de trabalho ou queda de ganho vira atraso quase imediato”, explica.

“No outro extremo, quem paga aluguéis mais altos costuma ser de classe média alta ou rica, com outros recursos para atravessar um momento ruim. Esse público também tende a ser mais educado financeiramente e a depender menos de parcelamento no cartão e de crédito rotativo, modalidades de juros altíssimos. Isso não impede atrasos em nenhuma faixa, mas explica por que o índice pesa mais na base”, acrescenta.




