O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou neste sábado (5) que está disposto a pausar os ataques ucranianos contra Moscou durante a visita dos enviados dos Estados Unidos, Jared Kushner e Steve Witkoff, desde que a Rússia também não realize ataques contra Kiev.
“De agora até o final desse sábado, bem como no domingo (6) e na segunda-feira (7), a Ucrânia está pronta para se abster de ataques a Moscou, e esperamos que os russos façam o mesmo em relação a Kiev.”, disse Zelensky em uma publicação no X.
Щойно говорили з представниками Президента Америки. Вони вже почали сьогодні роботу з російською стороною. З моменту цієї нашої розмови готові дотримуватись режиму припинення повітряних ударів щодо міст, які задіяні у перемовному процесі. Відтепер і до кінця цієї доби суботи, в…
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) September 5, 2026
O líder ucraniano também afirmou que havia falado com os representantes dos Estados Unidos neste sábado e que os aguardava para conversar sobre futuras medidas diplomáticas em Kiev.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou em uma declaração à agência de notícias russa TASS que o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou uma suspensão de três dias nos ataques à capital ucraniana como parte dos preparativos da visita dos enviados americanos.
O Kremlin informou que a suspensão dos ataques começaria à meia-noite (horário local) do sábado, mas ressaltou que a medida se aplicava apenas à capital, e não ao restante do país.
“Isso está relacionado à preparação e à realização de contatos dos americanos em Kiev”, disse Peskov.
Apesar da declaração, Zelensky havia afirmado mais cedo neste sábado que drones russos realizaram ataques em aeroportos na capital.
Witkoff e Kushner, enviados especiais do presidente americano Donald Trump, chegaram a Moscou neste sábado para uma reunião com Vladimir Putin, líder da Rússia.
Durante um pronunciamento no Salão Oval na sexta-feira (4), Trump sugeriu que os EUA tinham uma proposta concreta para pôr fim à guerra, que já dura cinco anos. No entanto, ele não deu detalhes sobre qual seria essa proposta.
“Temos uma ideia para a paz. Veja bem, eu já resolvi oito guerras. A maioria delas, na minha opinião, era mais difícil do que a da Rússia e da Ucrânia. É um problema de personalidade na Rússia e na Ucrânia. Você tem o presidente Zelensky e o presidente Putin, eles se odeiam de verdade. Sabe o que é ódio? Eles têm um ódio profundo”, afirmou Trump na ocasião.
Rússia resistente a fazer concessões
Trump descreveu Witkoff e Kushner como “grandes negociadores” na Casa Branca, na sexta-feira.
“Eles estão trazendo uma proposta para acabar com a guerra”, disse Trump, acrescentando que “pode haver uma boa chance de conseguirmos isso”.
Contudo, autoridades russas indicaram que Moscou não está disposta a fazer concessões.
“A administração dos EUA deve levar em conta a realidade no terreno em relação a uma solução para a Ucrânia, onde a situação não está mudando a favor de Kiev”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, à agência de notícias estatal russa TASS.
Ryabkov sugeriu que a Ucrânia enfrenta dificuldades no campo de batalha e que os Estados Unidos precisam considerar esse fato.
Uma faixa de importantes cidades industriais na região de Donetsk, no leste do país, está sob ameaça crescente das forças russas, que avançaram gradualmente nos últimos meses.
(Com informações da Reuters, da CNN e supervisão de Luciana Caczan)*



