O navegador e escritor Amyr Klink, 70, refletiu sobre a adaptação de seu livro “Cem Dias Entre Céu e Mar” — um diário da travessia do Oceano Atlântico que realizou em 1985 — para os cinemas, no filme “100 Dias”, dirigido por Carlos Saldanha.
À CNN Brasil, ele contou que ficou satisfeito com o resultado e que deu liberdade à produção para transformar o enredo em ficção.
“O filme foi extremamente cuidadoso em descrever as emoções que aconteceram, como o sentimento de desacreditamento, de dúvida e de crítica. É um recorte da história, que foi muito complexa, mas está muito bem contada, porque também traz as emoções que não foram durante a travessia, mas em momentos anteriores”, contou.
Amyr Klink também relatou que o longa traduziu sentimentos que ele não conseguiu colocar em palavras em seu livro.
O navegador revelou à CNN Brasil que não interferiu no enredo de “100 Dias”, dando total liberdade ao diretor e aos responsáveis pela produção para adaptar sua história para as telonas.
“Eu poderia ser um desses autores chatos que ficam dando palpite, mas não foi bem assim. Na primeira reunião com o Saldanha, falei: ‘O livro é meu, mas o filme é seu. Entendo que é uma obra e eu não vou interferir, a menos que vocês peçam'”, narrou.
Quando questionado sobre as expectativas para indicações a premiações do cinema — já que é um dos longas brasileiros cotados para o Oscar 2027 —, Klink se definiu como uma pessoa que espera os resultados aparecerem antes de comemorar.
“Não tenho a menor expectativa ou esperança em indicação para coisa nenhuma, para prêmio nenhum. Nunca fiz nada para ganhar prêmio. Fiz porque eu gosto de fazer”, disse.
E continuou: “Não é porque foi ou não indicado para uma premiação que merece ou não ser assistido. Eu vi trechos do filme com pessoas que participaram da história e que ficaram profundamente emocionadas. Essa é a missão de uma obra cinematográfica: construir a emoção.”
Com estreia marcada para 29 de outubro, exclusivamente nos cinemas, o longa aposta em uma combinação de aventura, emoção e drama psicológico para contar a história do navegador.
A trama é baseada no feito iniciado em 10 de junho de 1984, quando Amyr partiu da cidade de Lüderitz, na Namíbia, em direção ao Brasil.
Cem dias depois, em setembro daquele ano, ele concluiu a travessia histórica, tornando-se uma referência mundial na navegação.
O protagonista é interpretado por Filipe Bragança, conhecido por trabalhos no cinema e na televisão. O ator assume o desafio de dar vida ao navegador em uma história que exige grande carga emocional e física.
Assista ao trailer de “100 Dias”
*Com informações de Giu Aya, da CNN Brasil



