O Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado neste domingo (31), tem a missão de mostrar que o hábito de fumar pode prejudicar não apenas funções cardíacas e pulmonares, mas diversas outras funcionalidades do corpo humano.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) aponta para mais de 8 milhões de mortes no mundo por ano referentes ao tabaco. No Brasil, são cerca de 161 mil mortes anuais, de acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer).
O tabagismo afeta diretamente o sistema imunológico, favorecendo infecções, e também compromete o sistema circulatório, o que pode colaborar para casos de hipertensão arterial sistêmica e aterosclerose grave. Essas doenças aumentam consideravelmente o risco de infarto e AVC (Acidente Vascular Cerebral).
De acordo com Vanessa Zago, médica de família e integrante do Programa Fumo Zero da Amil, o ato de fumar eleva o risco de cânceres na boca, esôfago e estômago. Há também alterações no sistema reprodutivo, podendo causar infertilidade e complicações na gravidez.
As toxinas do cigarro lesionam o revestimento interno das artérias (endotélio), favorecendo inflamação, acúmulo de gordura e formação de placas. Essas placas podem romper, gerar coágulos e bloquear artérias do coração (infarto) ou do cérebro (AVC), alerta Marcio Sousa, cardiologista e chefe da Seção de Hipertensão Arterial, Tabagismo e Nefrologia do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.
Outro grupo afetado pelo tabagismo é o de fumantes passivos, que não efetivamente traga, mas fica exposto a fumaças tóxicas liberadas pelo cigarro. “O fumante passivo também pode desenvolver doenças graves a longo prazo”, aponta Vanessa.
Ela segue: “A exposição frequente à fumaça aumenta o risco de câncer de pulmão, doenças cardiovasculares, asma e infecções respiratórias. Em crianças, há maior incidência de bronquite, pneumonia e crises asmáticas. Os riscos geralmente são menores do que os do fumante ativo, porque a exposição costuma ser menos intensa, mas, ainda assim, são considerados relevantes pela literatura médica. Ou seja, não existe nível seguro de exposição à fumaça do cigarro”.
Marcio complementa: “O fumo passivo não tem nível seguro de exposição”.
O corpo se regenera quando o fumante abandona o hábito?
Algumas estruturas do corpo conseguem se regenerar quando deixam de receber as fumaças tóxicas do tabaco. Os bronquíolos começam gradualmente a recuperar parte de sua capacidade de defesa e limpeza das vias respiratórias. “O organismo inicia um processo de recuperação quase imediato”, declara Marcio Sousa.
Parar de fumar regenera os cílios presentes no revestimento dos brônquios, que ficam obstruídos por muco, impurezas e partículas inaladas em pessoas que fumam constantemente.
“No entanto, é importante destacar que nem todos os danos são irreversíveis. Lesões estruturais já estabelecidas no pulmão, assim como parte dos prejuízos causados pelo acúmulo prolongado de partículas e substâncias tóxicas, podem permanecer mesmo após a cessação do tabagismo”, alerta o médico.
Em relação à função circulatória, existe uma melhora gradativa. A linha do tempo funciona da seguinte forma:
- 20 minutos: pressão e pulso começam a normalizar;
- 12 horas: níveis de monóxido de carbono caem; oxigenação melhora;
- 2–12 semanas: circulação melhora; coração trabalha com menos esforço;
- 3–9 meses: redução de sintomas respiratórios; mais energia;
- 1 ano: risco de doença coronária cai pela metade;
- 5 anos: risco de AVC pode se igualar ao de quem nunca fumou;
- 10–12 anos: risco de infarto e câncer relacionado ao tabaco aproxima-se do de um não fumante.
Como a medicina pode ajudar a cortar o fumo?
A médica Vanessa Zago aponta o apoio psicológico e tratamento medicamentoso com acompanhamento médico como aliados nesse processo. Na terapia, há reposição de nicotina, bupropiona e vareniclina.
“O suporte familiar e os grupos de apoio também aumentam as chances de sucesso”, avalia.
Para Marcio Sousa, algumas medidas da rotina podem ajudar, como:
- Atividade física leve a moderada (caminhada, esteira, bicicleta): reduz ansiedade e fissura. O exercício faz o cérebro liberar endorfinas que ajudam no bem-estar e diminuem ansiedade e fissura.;
- Hidratação frequente: beber água diminui aquela “vontade automática” de acender por hábito;
- Sono regular: noites ruins pioram a fissura e impulsividade;
- Evitar longos períodos em jejum: fome aumenta irritabilidade e desejo de fumar;
- Trocar gatilhos: café → chá; cigarro após refeição → escovar os dentes; pausa no trabalho → água ou alongamento;
- Reduzir álcool: álcool é um dos maiores gatilhos para recaída;
- Respiração lenta (4 segundos inspirando, 6 expirando): técnica simples que corta a fissura em 30–60 segundos.
O profissional também reforçou a importância do suporte cognitivo-comportamental com profissionais da saúde e tratamento medicamentoso. “Todos esses hábitos não substituem tratamento, mas tornam o processo mais leve, mais rápido e com menos recaídas”, conclui.



