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sábado, maio 30, 2026

Médico brasileiro cria técnica de reconstrução peniana; entenda resultado


Novas técnicas brasileiras de reconstrução peniana têm atendido necessidades que auxiliam diretamente na saúde mental de homens cis e transgêneros. Um estudo apresentado no Congresso da American Urological Association (AUA), em Washington, neste mês, apontou resultados satisfatórios em pelo menos 14 pacientes que passaram pelos procedimentos.

Uma das novas técnicas é aplicada em homens cisgêneros e se chama TCM (Mobilização Total dos Corpos Cavernosos). Segundo Ubirajara Barroso Jr., urologista da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e professor da pós-graduação da Escola Bahiana de Medicina, o procedimento atende pessoas que perderam o pênis, seja por trauma ou câncer, e também pacientes que possuem micropênis.

“Nas técnicas convencionais, são liberados os ligamentos que fazem com que o pênis seja embutido”, explica o profissional à CNN Brasil. Nesse tipo de método, há uma limitação no ganho de extensão do órgão, pois quase metade dele está fixado nos ossos da região pubiana. “A técnica nova propõe a liberação de todo o corpo cavernoso que está fixado no osso, para que ele ganhe extensão”, conclui.

Nesse procedimento específico, a recuperação costuma ser rápida e sem maiores intercorrências. O paciente fica no hospital de três a quatro dias, não precisa de internação na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) e, até o momento, nunca houve necessidade de repor sangue durante as cirurgias.

Segundo o especialista, o paciente costuma retornar com uma dor controlável para casa e já pode andar no primeiro dia de pós-operatório. Atividade física é liberada com um mês e relação sexual de dois a três meses.

Metoidioplastia atende homens trans

Para homens trans, o procedimento é a metoidioplastia, em que se usa o próprio órgão genital do homem trans, pela hipertrofia do clitóris, para criar o falo, que pode até mesmo proporcionar a experiência de penetração no sexo.

“Depende do tamanho inicial do órgão, mas alertamos que esse tipo de procedimento dá o maior ganho possível em relação às outras técnicas”, conta o profissional.

Cirurgias funcionais

Esses procedimentos específicos ajudam diretamente na saúde mental dos pacientes, já que só são feitos em situações em que não há mais funcionalidade do órgão genital.

“Os pacientes saem de uma condição em que não têm vida sexual, vergonha de se despir na frente da parceiria para uma condição em que é possível penetrar. O índice de satisfação é muito grande”, explica Barroso.

O urologista apontou que pelo menos dois de seus pacientes que foram vítimas de amputação peniana traumática voltaram a ter uma vida sexual ativa após o procedimento.

Ubirajara também apontou que a cirurgia não é feita em pessoas que só querem aumentar o tamanho do pênis. Se o órgão mantém suas funcionalidades, a indicação para a realização do procedimento não é acatada.

“Não é uma cirurgia estética, é uma cirurgia funcional, para tratar pacientes com micropênis, pênis amputados ou genitálias de homens trans”, resume o médico.



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