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domingo, outubro 18, 2026
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Polícia afasta agentes após suspeita de regalias a Milton Leite na prisão


A Polícia Civil afastou três delegados, um investigador e um carcereiro que atuavam em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, por suspeita de favorecimento indevido a presos, entre eles o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo e ex-vereador Milton Leite (União), preso em setembro deste ano.

Os afastamentos ocorrem após servidores prestarem depoimento à Corregedoria Geral da corporação neste sábado (17), no âmbito da investigação. Além das prisões, a polícia instaurou um inquérito e correições. As apurações administrativas pretendem agilizar a investigação dos supostos envolvimentos.

Em nota, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) informou que a medida foi adotada pela Polícia Civil para garantir a continuidade das apurações sem eventuais interferências.

Delegacia de Mogi foi alvo de investigações

A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo determinou correições no 1° Distrito Policial de Mogi das Cruzes, e na Cadeia Pública, local onde Milton Leite está preso, nesta sexta-feira (16). O procedimento de fiscalização teve como objetivo verificar a situação dos serviços e rotinas administrativas e operacionais das unidades.

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) cumpriu três mandados de busca e apreensão na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, no 1° Distrito Policial local, e em um endereço residencial no município.

De acordo com as investigações, a cadeia pública recebeu um fluxo incessante de visitantes dos presos, muitos deles sem qualquer vinculação familiar, o que destoa das condições de custodiados. O Ministério Público também apura outras regalias incompatíveis com o cárcere.

Durante o cumprimento dos mandados, o Gaeco localizou cerca de R$ 150 mil e US$ 10 mil na casa de um carcereiro. Além disso, durante uma busca na prisão, também foram localizados R$ 4 mil no bolso do agente carcerário.

Segundo o Ministério Público, os fatos podem configurar crimes de corrupção passiva e ativa, além de prevaricação, entre outros.

Defesa de Milton Leite nega regalias à ex-vereador na prisão

A defesa do ex-presidente da Câmara nega que o político receba regalias na prisão. Segundo o pronunciamento, o político está submetido às mesmas regras, rotinas e restrições aplicadas aos demais custodiados.

Os advogados também afirmam que ainda não tiveram acesso à investigação instaurada pelo MP, muito menos a elementos que a sustentam.

Confira a íntegra da nota:

“A defesa de MILTON LEITE DA SILVA, por meio de seus advogados, vem a público esclarecer os fatos noticiados na imprensa em 16/10/2026 a respeito de supostas regalias que ele estaria recebendo na unidade prisional em que cumpre prisão cautelar.

O Sr. MILTON não recebe e nunca recebeu qualquer tipo de regalia ou tratamento diferenciado na unidade em que está custodiado. Ele está submetido às mesmas regras, rotinas e restrições aplicadas a todos os demais custodiados, cumprindo as normas do estabelecimento.

A defesa não teve acesso à investigação instaurada pelo Ministério Público, originada de denúncia anônima, muito menos de qualquer elemento concreto que a sustente. Denúncias dessa natureza devem ser apuradas com cautela, e não podem ser tomadas, antes da devida verificação, como prova de irregularidade.

A defesa respeita o trabalho do Ministério Público e reafirma que tanto o Sr. MILTON LEITE DA SILVA quanto seus advogados estão à inteira disposição para colaborar com a apuração.”

Ligação de Milton Leite

Segundo as investigações, Milton Leite é citado nominalmente por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas de ônibus controladas pelo PCC.

De acordo com o Ministério Público, há declarações de policiais militares em procedimento junto ao Tribunal de Justiça Militar, que afirmam que ex-vereador seria o dono de fato da empresa Transwolf.

Após se entregar, Milton Leite negou ter envolvimento com o PCC e afirmou que provará sua inocência no âmbito do inquérito que investiga sua participação no esquema.

*Sob supervisão de Manuella Dal Mas



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