24.5 C
Brasília
sexta-feira, setembro 25, 2026

IA entra em nova fase e reduz risco de bolha, diz gestor


A inteligência artificial está entrando em uma nova fase, em que deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio e passa a executar tarefas dentro das empresas. Para Gabriel Raoni, sócio da IP Capital Partners, esse avanço da adoção ajuda a afastar o risco de uma bolha financeira.

Em entrevista ao programa Café com o Investidor, parceria entre o NeoFeed e a CNN Brasil, Raoni afirmou que a tecnologia caminha para um mercado trilionário, impulsionada principalmente pela expansão das ferramentas de software baseadas em IA.

Para o especialista, o risco de uma bolha aparece quando existe um descasamento entre o avanço tecnológico e a velocidade de adoção pela sociedade e pelas empresas. Na avaliação dele, esse movimento não está acontecendo atualmente.

“A gente está entrando numa fase que a inteligência artificial realiza tarefas para você, e isso é muito transformacional do ponto de vista de curva de adoção”, afirmou.

Um dos exemplos citados por Raoni é o crescimento do Copilot, da Microsoft. Segundo ele, a ferramenta passou de 15 milhões para 20 milhões de usuários e chegou a 30 milhões no último trimestre.

O especialista também destacou o potencial de expansão do mercado de software, estimado em cerca de US$ 700 bilhões globalmente. Com a incorporação da inteligência artificial, ferramentas que antes apenas auxiliavam os funcionários passam a executar tarefas administrativas e operacionais dentro das empresas. “A IA vai para um mercado trilionário”, afirmou.

Investimentos em tecnologia

A tese da IP Capital Partners está concentrada em quatro grandes empresas de tecnologia: Microsoft, Meta, Alphabet e Amazon. Segundo Raoni, junto com a Oracle, essas cinco companhias respondem por cerca de 70% de todo o investimento em inteligência artificial feito na cadeia.

Em 2023, as cinco empresas investiram aproximadamente US$ 150 bilhões em bens de capital, segundo os números apresentados pelo executivo. Desde então, os investimentos aceleraram. Para 2026, as estimativas apontam para mais de US$ 800 bilhões em investimentos das cinco companhias, enquanto, para 2027, a projeção chega a cerca de US$ 1,2 trilhão.

Na avaliação do gestor, um dos fatores que reduzem o risco desses investimentos é justamente o poder de distribuição das grandes empresas de tecnologia.

A Meta, por exemplo, possui mais de 3,5 bilhões de usuários. A Microsoft conta com cerca de 450 milhões de usuários corporativos do Office 365, enquanto o Google tem dez produtos com mais de 1 bilhão de usuários cada.

Outro ponto destacado por Raoni é a verticalização de algumas dessas companhias. A Alphabet, por exemplo, pode atuar em quatro das cinco camadas da cadeia de inteligência artificial, desde o desenvolvimento de chips próprios até as aplicações utilizadas pelos consumidores. “Quando você está mais verticalizado, você mitiga isso”, afirmou.

IPOs de empresas de IA

Apesar da visão positiva sobre a expansão da inteligência artificial, Raoni demonstra cautela em relação a empresas que ainda estão construindo seus modelos de negócio.

Questionado sobre possíveis IPOs da OpenAI e da Anthropic, o sócio da IP Capital Partners afirmou que considera os valuations dessas companhias elevados e que as vantagens competitivas ainda estão em construção.

“Eu prefiro uma história mais solidificada, você tem um histórico de geração de valor, onde você tem um negócio que é extremamente dominante, quase um monopólio, com efeitos de rede muito claros”, afirmou.

Entre os riscos apontados pelo especialista estão a pressão deflacionária sobre os preços dos modelos de inteligência artificial e a concorrência de modelos de código aberto.

A estratégia da IP Capital Partners

A avaliação sobre empresas de tecnologia está alinhada à filosofia de investimentos da IP Capital Partners, que busca negócios com características específicas.

O primeiro pilar é encontrar empresas com um motor de crescimento próprio, capazes de crescer independentemente do cenário macroeconômico. O segundo é identificar companhias com um forte escudo competitivo e capacidade de gerar retornos acima do custo de capital. O terceiro envolve empresas com equipes de gestão alinhadas, éticas e que respeitem os acionistas minoritários.

“Esses três atributos são o segredo para ter um bom investimento em ações”, afirmou Raoni.

A busca por empresas que atendam a esses critérios também levou a gestora a ampliar o olhar para o exterior. Segundo o especialista, o mercado internacional se torna mais “convidativo” pela maior quantidade de companhias que apresentam essas características.

A IP Capital Partners tem 38 anos de existência e é descrita por Raoni como a primeira gestora de recursos independente do Brasil. A casa começou a operar antes mesmo da criação da regulamentação específica do setor. “Quando a IP começou, a gente operava por conta e ordem, através de procuração”, afirmou.

O principal fundo da gestora, o IP Participações, acumula uma trajetória de 33 anos. Como exemplo da performance de longo prazo, Raoni afirmou que R$ 10 mil aplicados na origem do Plano Real teriam se transformado em mais de R$ 3 milhões.

Bolsa brasileira

Apesar da preferência por determinadas empresas globais de tecnologia, Raoni também vê oportunidades no mercado brasileiro. Na avaliação do especialista, o momento atual representa um ponto de entrada interessante para a bolsa.

Ele considera que o período entre 2019 e 2026 foi marcado por um aumento expressivo do custo de capital no Brasil, com juros reais de curto prazo próximos de 10% e de longo prazo perto de 8%.

Esse cenário pressionou os ativos de renda variável e elevou o prêmio exigido pelos investidores para assumir risco na bolsa. Mesmo assim, Raoni afirma que ainda é possível encontrar empresas brasileiras com retornos potenciais elevados.

Um dos exemplos citados é o Itaú. Segundo o gestor, a ação negocia atualmente com um retorno implícito de IPCA mais 12%. “Mesmo que não caia o custo de capital, ter um investimento com uma empresa como o Itaú é um excelente retorno”, concluiu.

Café com Investidor

O programa Café com Investidor é uma produção do NeoFeed com a CNN Brasil e é apresentado por Ralphe Manzoni. Acompanhe os episódios inéditos, quinzenalmente, às 19h45, no CNN Money.



Source link

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

NOTÍCIAS