PAULO EDUARDO DIAS
MOGI DAS CRUZES, SP (FOLHAPRESS)
O ex-vereador de São Paulo Milton Leite disse na noite desta sexta-feira (18) que não cometeu crime nenhum e nada deve. A fala ocorreu quando o político saía da delegacia onde se entregou à polícia, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, para realizar o exame de corpo de delito. Ele ficará preso na cadeia pública da cidade.
Por volta das 19h, ele caminhou em direção à saída acompanhado de agentes e disse ser “inocente de todas as acusações”. “Terei oportunidade de provar tudo. Me apresentei conforme prometido.”
Perguntado se teria arrependimento de alguma coisa, respondeu: “Só se arrepende quem comete crime”.
O político do União Brasil se apresentou por volta das 16h na sede da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes), onde tramitou o inquérito. Ele estava acompanhado do advogado Aloísio Lacerda Medeiros, que disse ter pedido à Justiça acesso integral ao processo. “Milton está tranquilo. Não tem nada a ver com a história”, disse.
Contra Leite, havia um mandado de prisão temporária, por 30 dias, vigente. O advogado informou que por enquanto não recorrerá da medida.
“A defesa segue tomando conhecimento do processo, [estamos] absolutamente tranquilos. Vamos seguir o rito normal”, disse Medeiros.
Questionado se Leite estava fora do país, o advogado disse apenas que ele estava fora de São Paulo e que desconhecia o endereço onde a polícia fez buscas nesta sexta, em Sorocaba, no interior, e apreendeu R$ 740 mil.
- Entenda o que se sabe sobre a investigação que envolve Milton Leite
Perguntado sobre as suspeitas apresentadas pela polícia e Ministério Público, a defesa reiterou a falta de acesso ao conteúdo. “Não tive acesso a nada. Precisamos ter acesso ao conjunto de provas, sem nenhuma correria”, acrescentou Medeiros.
Leite era considerado foragido desde a quinta-feira (17) quando agentes não o encontraram em seu endereço residencial. Ele havia dito que se apresentaria em 24 horas e negou as suspeitas.
“Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor (de transportes) foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas. Não há nenhuma hipótese de eu ser dono [da Transwolff]”, disse o ex-vereador à Folha de S.Paulo nesta quinta, por telefone.
A operação mira suspeitas de que empresas de ônibus que prestam serviço de transporte coletivo em municípios paulistas passaram a ser administradas por integrantes da facção após a obtenção de licitações.
Os investigadores dizem que Leite seria o verdadeiro dono da Transwolff, empresa que gerenciou durante anos linhas de ônibus da capital paulista e cujo contrato foi rompido por suspeitas de envolvimento com o PCC. O pedido contra o ex-vereador se baseou em duas circunstâncias em que seu nome foi mencionado por terceiros.



