O rendimento do Treasury de referência de 10 anos subiu para mais de 5% nesta segunda-feira (14), o nível mais alto desde outubro de 2023 e um limiar psicológico que, segundo analistas, pode causar repercussões na economia dos Estados Unidos e ameaçar o mercado altista de ações ao diminuir o apelo relativo das ações norte-americanas.
Os rendimentos dispararam conforme os operadores precificam a possibilidade de que o Federal Reserve precise manter a taxa de juros mais alta por mais tempo, depois que um salto nos preços do petróleo reacendeu os temores de novas pressões inflacionárias. As pressões sobre os preços já vêm se mantendo bem acima da meta anual de 2% do Banco Central.
Os contratos futuros do Brent subiram 4%, para US$ 108,83 o barril, após uma alta de quase 9% na semana passada. Os preços do diesel, da gasolina e do querosene de aviação estão muito mais altos do que antes da guerra com o Irã, o que representa um impacto direto para os consumidores.
“Não houve grandes oscilações no mercado de ações diante dos rendimentos de 5% e dos altos preços do petróleo. Mas, claramente, um fator que precisamos considerar é que, se a instabilidade em Ormuz continuar, teremos que adicionar alguns aumentos nas taxas de juros pelos bancos centrais, que é o que o mercado está precificando”, disse Samy Chaar, economista-chefe da Lombard Odier.
O rendimento dos títulos dos governos subiram ligeiramente após registrarem seu pior desempenho semanal desde meados de maio na semana passada. O bond de 10 anos registrava alta de 2,89 pontos-base, para 5,004%.
Títulos internacionais
Enquanto isso, os rendimentos dos títulos alemães com vencimento em 10 anos subiram acima de 3,54%, seu nível mais alto desde 2009.
Os investidores agora atribuem uma probabilidade de 90% de que o Federal Reserve aumente as taxas de juros na quarta-feira (16), no que poderia ser o primeiro aumento desde meados de 2023. O Banco Central Europeu aumentou as taxas na semana passada e indicou que outros aumentos podem ocorrer se a inflação acelerar.
Os mercados também indicam uma probabilidade de cerca de 76% de que o Banco do Japão aumente sua taxa básica de juros em 25 pontos-base, para 1,25%, na reunião de sexta-feira (18).
Espera-se também que o Banco do Japão sinalize a possibilidade de um aperto monetário adicional, buscando sustentar o iene após a intervenção que ajudou a moeda a se afastar da mínima em 40 anos.
“O Fed está mais impaciente do que antes, e os bancos centrais também estão mais impacientes, incluindo o BCE. Eles não vão simplesmente deixar o tempo agir. Eles querem se antecipar”, disse Chaar.



