O número de mortos pelas inundações no Nepal subiu para 547, informou a polícia nepalesa na manhã desta sexta-feira (28). No lado chinês, cinco pessoas morreram, segundo a atualização mais recente divulgada pelas autoridades.
Mais de 1.300 pessoas foram dadas como desaparecidas. Equipes de resgate enfrentam dificuldades devido ao terreno montanhoso, às condições climáticas adversas, à destruição da infraestrutura e aos cortes de energia, entre outros obstáculos.
Aqui está o que sabemos até agora sobre o que causou as inundações catastróficas e por que elas foram tão letais:
- Um enorme bloco de geleira, com cerca de 600 metros de largura, desprendeu-se da montanha Langtang Lirung, no norte do Nepal, na quarta-feira (26), acompanhado por um grande deslizamento de terra, segundo análises de satélite.
- Isso provocou uma onda de cheia que percorreu os vales íngremes das montanhas na fronteira entre o Nepal e a China, com tamanha força que, inicialmente, foi registrada como um terremoto.
- Essa torrente não era composta apenas de água; estava também carregada de silte, areia, cascalho e enormes blocos de rocha, tudo se movendo em conjunto como um único fluido.
- Era como “concreto líquido” e impossível de escapar, disse à CNN Hatim Sharif, professor de engenharia da Universidade do Texas em San Antonio. O material atinge uma edificação com cerca do dobro da força da água quando se desloca à mesma velocidade, afirmou Sharif à CNN.
- Sua composição também torna as operações de resgate mais perigosas. Os escombros podem reter água por muito tempo, tornando o terreno imprevisível e traiçoeiro. A profundidade é outra questão. O sedimento acumulado chega a ter vários metros de espessura em alguns pontos, o que significa que a busca por pessoas “é feita por meio de sondagem e manualmente, sendo um processo muito lento”, acrescentou ele.
- Uma grande preocupação é que novas chuvas possam fazer tudo se mover novamente.



