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sábado, junho 27, 2026

São Paulo: Marco Aurélio Cunha diz o que ‘abalou’ Minelli no auge


Ícone do São Paulo, Marco Aurélio Cunha era um jovem com apenas 23 anos quando chegou ao clube. E o período especial como estagiário é justamente o mesmo em que Rubens Minelli, lenda do futebol brasileiro que morreu nesta quinta-feira (23), aos 94 anos, treinou o time tricolor.

Ao ESPN.com.br, o médico, hoje com 69 anos, relembrou vários detalhes da relação que teve com o técnico entre 1977 e 1979, de coisas simples e corriqueiras de dia a dia até o que mais “abalou” o tetracampeão nacional em seu auge.

“Eu cheguei no São Paulo, como estagiário, em 77, me formei em 78, foi isso. O José Carlos Ricci era o médico [do profissional]. Eu era da base, mas frequentava ali o profissional e ajudava o Ricci quando ele ia para o consultório ou saía para outras coisas, então, a gente [MAC e Minelli] teve muito contato”, afirmou o ex-médico e ex-dirigente do clube paulista.

Para MAC, Minelli, que é um dos apenas três técnicos, ao lado de Lula [com o Santos] e Muricy Ramalho [com o São Paulo], a ser tricampeão brasileiro de forma genuína, isto é, por três anos consecutivos, era diferenciado não apenas como técnico, mas também como pessoa dentro do futebol.

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“Ele era incrível! O futebol, em geral, é raso intelectualmente, mas ele era uma figura muito inteligente. Formado em Economia. Ele era acima do futebol”, seguiu o também ex-deputado estadual por São Paulo.

“Lembro que a gente juntava às vezes e ficava brincando de bola, fazendo joguinho 2 contra 2… Era muito gente boa, mas sempre muito firme, não pipocava [nas conversas e na defesa de suas ideias], e o diretor de futebol na época era o [José Douglas] Dallora, que era de uma elegância fora do comum. Aos sábados, recordo que eu almoçava junto com eles lá [comissão técnica e integrantes do departamento médico do profissional]”, detalhou MAC.

Marco Aurélio Cunha também relatou como Minelli, quatro vezes campeão nacional, uma com o Palmeiras (1969), duas com o Inter (1976 e 1977) e uma com o São Paulo (1977, mas o campeonato só acabou em 1978 ), enxergava o futebol e gostava de montar seus times.

“Foi uma fase [anos 1970] meio contraditória do futebol, né… O Brasil, como seleção, só foi ser marcador em 94, com o Dunga [Copa do Mundo disputada nos EUA que teve o Brasil como campeão e o volante como capitão]. O Minelli tinha a ideia de que tinha que ter jogadores maiores, fortes. Ele queria contrapor o que a Alemanha, que era um timaço, fez em 74 [Mundial ganho pelos alemães em casa]”, começou a explicar MAC.

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“Foi com ele [Minelli como técnico] que a musculação passou a ter importância no São Paulo, porque jogador brasileiro tinha perna e mais nada. Com ele, passou-se a se ter mais consistência física na preparação, ele gostava de marcação forte. Trouxe o Marião, o Antenor. Passou o Bezerra [autor da cobrança de pênalti que selou o título de 1977 contra o Atlético-MG] de lateral-esquerdo para zagueiro, uma espécie de líbero. Tinha o Getúlio, o Chicão. Então, ele gostava de jogadores altos, grandes, não quer dizer que não gostava dos menores.

Por fim, Marco Aurélio Cunha não titubeou ao destacar o que mais pesou para Rubens Minelli naquela década de 70, sem dúvida a do seu auge – em 1979, ele trocou o São Paulo pelo ‘mundo árabe’, indo dirigir o Al-Hilal, da Arábia Saudita. “Ele não ter ido para a Copa de 78 [como técnico da seleção brasileira] foi visto na época como injustiça. Foi uma grande injustiça, né. Acabou sendo o [Cláudio] Coutinho, que usava e falava a coisa do overlaping, do ponto futuro e tal. Mas, sim, aquilo abalou muito o Minelli.”

MAC tem toda a razão. Em entrevista à revista PLACAR em fevereiro de 1985, dada ao repórter Divino Fonseca, Minelli foi taxativo sobre o assunto e até desabafou: “Eu era tricampeão brasileiro e não fui lembrado. Depois disso, tive certeza que eu nunca seria lembrado”, disparou.



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