Com Mank, parecia que David Fincher tinha virado a sua carreira para um drama mais emocional e tradicional do que a maioria dos seus filmes. Com isso, seus projetos anteriores para a Netflix, o histórico House of Cards e Mindhunter, ficaram para trás. Mas com O Assassino, que chega exclusivamente à plataforma após uma breve passagem pelos cinemas, Fincher parece que está de volta à forma que todos sentimos falta, aquele dos thrillers cerebrais, matemáticos e banhados em humor perverso.

Neste caso, temos um de seus personagens imerso em um denso mundo interno e para o qual a realidade é um quebra-cabeça que deve ser continuamente resolvido. Trata-se de um assassino de aluguel interpretado pelo excelente Michael Fassbender (que entende que na visão de Fincher não há apenas drama, mas também uma paródia oculta) e que embarca, após uma missão fracassada, num caminho de vingança devastadora.
Em O Assassino, Fincher cruza novamente o caminho de Andrew Kevin Walker, roteirista de seu primeiro grande sucesso, Seven (e também responsável pelo roteiro de Clube da Luta), e o faz um filme que transborda o estilo do diretor por todos os lados.
Principalmente na encenação, tão meticulosa quanto intensa, mas também no estimulante hábito de não revelar tudo ao espectador, causando um surpreendente encerramento.
Tudo isto pontuado pelo habitual brilho visual de Fincher, que se permite abandonar uma narrativa intensa mas plácida com uma das melhores lutas corpo a corpo filmadas durante todo o ano. Repleto de cenas inesquecíveis e ideias visuais incríveis, O Assassino não é cinema para todos os públicos, mas é definitivamente um tipo que não costumamos ver em produções exclusivas da Netflix.
Texto traduzido do site parceiro Xataka*
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