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terça-feira, outubro 27, 2026
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Fintech cancelou por irregularidades conta de Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro


CONSTANÇA REZENDE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

A fintech A55 Sociedade de Crédito Direto decidiu cancelar, sob a alegação de irregularidades, uma conta usada pelo advogado Willer Tomaz de Souza, amigo de Flávio Bolsonaro (PL), para enviar recursos para o site de apostas Blaze, segundo investigações.

De acordo com informações obtidas pela Folha de S.Paulo, a A55 também bloqueou o CPF de Tomaz para novas transações e comunicou o caso ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

A medida foi tomada após a área de compliance da fintech identificar movimentações atípicas da conta de Tomaz que podem configurar lavagem de dinheiro.

A empresa comparou as condutas da conta do advogado com as diretrizes da lei de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.

O procedimento é adotado para monitorar e reportar às autoridades transações suspeitas, as chamadas “red flags” (operações incomuns ou não justificadas do usuário).

Criada em 2022 e com sede no bairro da Consolação, em São Paulo, a A55 tem um capital social de R$ 3,1 milhões, segundo dados da Receita Federal.

A instituição tem como sócios André Wetter e Hugo Mathecowitsch e desempenha atividades como serviços financeiros, desenvolvimento e licenciamento de programas de computador, portais e provedores de conteúdo. Além de atividades de cobranças e informações cadastrais.

Em julho deste ano, o Banco Central manifestou a intenção de cancelar a autorização para funcionamento da A55 Sociedade de Crédito, em comunicado divulgado em seu site.

A entidade citou como motivo o artigo da regulamentação que trata de sanções aplicadas a falta da prática, pela instituição financeira, da atividade autorizada pelo banco.

A medida também se aplica quando a autarquia não localiza a instituição no endereço informado ao Banco Central ou há interrupção e descumprimento de seu plano de negócios.

De acordo com o site do BC, o caso ainda está em exame. Procurada, a assessoria afirmou que o processo corre sob sigilo e que, por isso, não daria mais informações.

A assessoria de Tomaz também foi procurada e respondeu que não comentaria o caso.

O advogado é investigado pela PF, no inquérito que também envolve Flávio Bolsonaro, por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Uma nota técnica do Ministério da Fazenda mostrou que Tomaz foi o maior apostador em bets de todo o Brasil no ano de 2025, em um total de R$ 5 bilhões. Também detectou que Blaze não cumpriu com suas obrigações de fiscalização e controle que a autorizavam a funcionar no país.

A polícia desconfia de que essas movimentações possam ser uma forma de ocultar a origem de recursos ilícitos.

A Folha teve acesso a documentos que mostram que, em 2026, Tomaz apostou mais R$ 1,3 bilhão. Nos dois anos, a Blaze foi o destino prioritário das apostas do advogado.

Na ocasião, a assessoria do advogado afirmou que o tema é “objeto de ação judicial em curso”, que “os recursos têm origem lícita, são compatíveis com seus rendimentos e constam de sua declaração à Receita Federal”, e que as cifras apresentadas pela Fazenda “não correspondem à realidade”.

“Causa estranheza que um documento técnico de órgão federal, contendo dados protegidos por sigilo, chegue à imprensa justamente em período eleitoral”, completou.

Já a assessoria de Flávio informou que o senador não é investigado no Supremo e que os autos que chegaram ao STF ainda não foram convertidos em inquérito, já que ainda não houve manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) ou qualquer decisão judicial a respeito.



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