Thamires Pinheiro
A quatro dias do primeiro turno, o candidato a deputado distrital Raphael Sebba (PSB) declarou apoio a Leandro Grass (PT) na disputa pelo Governo do Distrito Federal. Ao JBr, Sebba afirmou que a decisão está ligada a uma divergência política com Ricardo Cappelli, candidato do próprio PSB ao Buriti, e à estratégia adotada por ele na reta final da campanha.
Segundo Sebba, a defesa da união entre partidos do campo progressista não é uma posição recente. Ele afirma que voltou ao PSB justamente por considerar o partido um espaço para essa construção no DF.
“Retornei ao PSB por acreditar que o partido é um espaço para construir a unidade do campo progressista no Distrito Federal e essa é uma defesa que faço desde a pré-campanha. Portanto, não é uma posição que surgiu nos últimos dias”.
O candidato apontou ao jornal uma mudança na postura de Cappelli como fator que pesou na decisão de declarar apoio a Grass. Na avaliação dele, os ataques direcionados à candidatura do PT na última semana dificultam uma possível união em um eventual segundo turno.
“Na última semana, ele passou a atacar de forma sistemática a candidatura do PT, adotando uma estratégia que, para mim, dificulta inclusive a construção de unidade em um eventual segundo turno”.
Para ele, a estratégia também se distancia da atuação nacional do PSB, que tem uma aliança em torno das candidaturas de Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSB).
“Entendo que essa postura se distancia da linha que defendemos no PSB e da construção que fazemos nacionalmente. Esta eleição exige coragem e responsabilidade histórica”.
Divergência política
Apesar de declarar apoio a Grass, Sebba reforçou que reconhece Cappelli como o candidato oficial do PSB ao Governo do DF. Ele também destacou a trajetória do colega, especialmente sua atuação após os atos de 8 de janeiro.
“Cappelli é o candidato oficial do PSB e tenho respeito por sua trajetória, especialmente pelo papel que desempenhou na defesa da democracia no 8 de janeiro. Minha divergência é política e estratégica”.
Raphael também negou que o posicionamento represente uma questão pessoal entre os dois. Segundo ele, a divergência já vinha sendo discutida internamente no partido.
“Minha divergência com Cappelli não é pessoal. Tenho respeito por sua trajetória e não pretendo transformar uma diferença política em conflito pessoal”.
Questionado pelo JBr sobre como Cappelli recebeu a decisão e sobre a relação entre os dois, Sebba disse esperar que o assunto seja tratado dentro do partido.
“Espero que divergências como essa sejam tratadas politicamente e com respeito à democracia interna do PSB”.
Procurado pela reportagem para comentar o apoio de Sebba a Grass, Cappelli foi breve e não entrou nos detalhes da divergência. “Estou concentrado em derrotar Celina”, respondeu, indicando que mantém o foco na disputa contra a governadora Celina Leão (PP).




