A greve dos trabalhadores da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), iniciada na madrugada desta terça-feira (4), levou o Governo de São Paulo a adotar uma série de medidas emergenciais para minimizar os impactos na mobilidade da Região Metropolitana.
Entre as ações estão a antecipação da abertura de estações do Metrô para as 4h, o acionamento do Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência) com 128 ônibus, o reforço da operação ferroviária e da segurança pública, além da suspensão do rodízio municipal de veículos na capital.
A paralisação afeta as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM. Nesta manhã, a Linha 11 opera parcialmente entre Palmeiras-Barra Funda e Guaianases, enquanto a Linha 12 funciona entre Brás e Engenheiro Goulart. A Linha 13-Jade e o Expresso Aeroporto permanecem sem operação. Já as linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda e 10-Turquesa operam normalmente.
A paralisação foi aprovada em assembleia realizada na noite de segunda-feira (3). A categoria protesta contra o processo de concessão das linhas à concessionária Trivia Trens e cobra garantias para os empregos dos ferroviários. O movimento ocorre poucas semanas depois de o Governo de São Paulo determinar que a CPTM reassumisse, por 90 dias, a operação das linhas concedidas, após falhas e um incêndio em uma composição. A medida foi adotada enquanto a Artesp apura o cumprimento das obrigações contratuais da concessionária.
Como está a operação dos trens nesta terça-feira:
- Linha 11-Coral: operação parcial entre Palmeiras-Barra Funda e Guaianases;
- Linha 12-Safira: operação parcial entre Brás e Engenheiro Goulart;
- Linha 13-Jade: paralisada;
- Expresso Aeroporto: sem operação;
- Linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda e 10-Turquesa: operação normal.
Rodízio suspenso e reforço na segurança
Para reduzir os impactos da greve no trânsito, a Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio municipal de veículos durante esta terça-feira (4).
A Polícia Militar também reforçou o policiamento preventivo no entorno das estações ferroviárias, terminais de transporte e outros locais de grande circulação de pessoas. O policiamento de trânsito foi intensificado para melhorar a fluidez viária nas regiões mais afetadas.
As ações são monitoradas em tempo real pelo Centro Integrado de Operações Coordenadas (CIOC), instalado no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC).
Metrô amplia operação
Como parte do plano de contingência, o Metrô antecipou para as 4h a abertura das linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata. A Linha 3-Vermelha, que faz integração com parte dos ramais afetados, recebeu composições extras e passou a realizar manobras intermediárias para ampliar a oferta de viagens nos trechos de maior demanda. A companhia também informou que poderá enviar trens vazios para plataformas mais lotadas, reduzindo o tempo de espera dos passageiros.
As linhas concedidas 4-Amarela, 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda também reforçaram as equipes operacionais, ampliaram a segurança, intensificaram o monitoramento da demanda e ajustaram a oferta de trens ao longo do dia para absorver parte dos passageiros afetados pela greve. A Linha 7-Rubi, operada pela TIC Trens, informou que circula com frota máxima nos horários de pico e poderá ampliar a oferta caso haja necessidade.
Além disso, o efetivo de funcionários foi reforçado em estações como Corinthians-Itaquera, Tatuapé, Brás e Palmeiras-Barra Funda para orientar os usuários e organizar o fluxo de embarque.
Paese mobiliza 128 ônibus
O Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese), coordenado pela Artesp, também foi acionado para atender os passageiros afetados pela paralisação. Ao todo, 128 ônibus foram disponibilizados: 58 para a Linha 11-Coral, 60 para a Linha 12-Safira e 10 para a Linha 13-Jade.
Os veículos atendem o trecho entre Estudantes e Corinthians-Itaquera, na Linha 11; entre São Miguel Paulista e Calmon Viana, na Linha 12; e entre Aeroporto-Guarulhos e Engenheiro Goulart, na Linha 13. As linhas intermunicipais da região também receberam reforço de frota.
Decisão judicial e negociação
Segundo o diretor-presidente da CPTM, Michael Cerqueira, o foco da companhia é garantir a mobilidade da população durante a paralisação e ampliar o contingente de funcionários ao longo do dia, principalmente para o horário de pico da tarde.
“Nosso foco é atender a população e nosso esforço está concentrado para garantir que a população possa ter mobilidade diante desta paralisação. Nossa expectativa é que ao longo do dia tenhamos mais colaboradores entrando na escala para que no pico da tarde tenhamos contingente maior”, afirmou.
A greve foi mantida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil mesmo após negociações com o Governo do Estado. A CPTM recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que determinou a manutenção de 80% do efetivo nos horários de pico e de 60% nos demais períodos. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 400 mil ao sindicato.
O governo estadual informou que apresentou propostas para preservar os postos de trabalho e discutir reivindicações da categoria, como a absorção de empregados por outros órgãos públicos estaduais, a incorporação da Estrada de Ferro Campos do Jordão pela CPTM e a inclusão dos trabalhadores no Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe). Mesmo assim, lamentou a manutenção da greve e afirmou que a paralisação prejudica o deslocamento de milhares de passageiros na Grande São Paulo.



