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segunda-feira, agosto 3, 2026

Candidato a deputado federal, Adriano Amaral defende revogação de leis


O convidado desta edição do JBr Entrevista é o empresário, administrador de empresas e pré-candidato a deputado federal pelo PSD no Distrito Federal Adriano Amaral. Brasiliense, ele construiu sua trajetória profissional na consultoria estratégica, participando de projetos voltados à gestão pública, infraestrutura e desenvolvimento. Entre as pautas que defenderá, durante sua campanha, está a modernização do Estado, a redução da carga tributária e a revogação de leis.

https://youtu.be/U-1uZe-J_dA

Conte um pouco para nós sobre sua trajetória.

Eu sou Adriano Amaral, pré-candidato a deputado federal pelo PSD aqui no DF. Nasci e fui criado em Brasília. Dos quatro aos 15 anos, estudei na Escola Americana. Tive toda a minha criação aqui e meus melhores amigos até hoje são dessa época. Aos 15 anos, mudei-me para o Canadá, onde concluí o ensino médio em uma escola pública. Foi uma experiência incrível e de grande aprendizado; pude conhecer outras culturas e entender o funcionamento do sistema deles. Fiquei impressionado com o modelo educacional: a escola pública lá era excelente. Eles me ensinaram lições de vida valiosas, especialmente o espírito de servir à comunidade. Como eu era bom em matemática, passei a atuar como tutor de alunos em recuperação e treinei crianças no futebol. Depois, cursei Economia e Finanças na Universidade de Toronto. Durante esse período, sempre retornava ao Brasil para estagiar em empresas, principalmente na área de consultoria. Pude vivenciar de perto os desafios do setor produtivo, atuando no planejamento e na reestruturação de empresas com dificuldades financeiras.

Para conhecermos um pouco da sua história familiar: você e sua família moram em Brasília?

Minha família também é de Brasília. Meu pai era filho de diplomata. Minha mãe é carioca, mas se mudou para cá quando o conheceu, e eles viveram a vida inteira na cidade. Meu pai também era empresário do ramo de consultoria e infraestrutura — áreas com as quais tenho muita afinidade por acompanhá-lo desde cedo. Minha mãe é advogada, e meu irmão mais velho atua no setor financeiro.

Você é escritor. Conte-nos um pouco sobre os seus livros.

Durante a pandemia, aproveitei o tempo livre para escrever. Publiquei livros como Percepções sobre a Mente de Negócios e Contrapontos (disponível na Amazon), nos quais abordo política e economia sob uma perspectiva diferente das narrativas tradicionais. Os dois primeiros seguem uma linha semelhante. Escrevemos durante a pandemia para analisar temas econômicos e sociais sob novos ângulos — abordando tópicos como distribuição de renda e monopólios, demonstrando que essas pautas nem sempre devem ser encaradas de forma simplista. O livro Contrapontos reúne diversos artigos analisando cenários políticos, relações internacionais e fatos contemporâneos. O primeiro livro escrevi em parceria com meu pai, tratando de gestão e mente de negócios. Curiosamente, ele também se chama Adriano Amaral — assim como meu avô. (risos). Já o terceiro livro aborda a gestão do sistema de saúde no Brasil. Foi um projeto desenvolvido em parceria com o ex-ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, com quem construí uma grande amizade. Estruturamos esse trabalho juntos para propor diagnósticos e soluções para o setor.

Como foi a sua inserção na política e a sua chegada ao PSD?

Esta é a primeira vez que disputo um cargo público. Minha entrada ocorreu a convite do Arruda, que já conhecia o trabalho do meu pai — ex-secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo no governo dele. Tínhamos essa relação de proximidade, e ele conhecia minha formação acadêmica e técnica na área de gestão. Integrei a equipe responsável pela elaboração do plano de governo e, a partir daí, surgiu o convite para disputar a eleição. Acredito que, quando temos preparo e propostas consistentes, devemos colocá-los à disposição da sociedade.

Sendo a gestão pública a sua área de especialização, quais são as suas principais propostas para o DF?

O Distrito Federal e o país enfrentam um cenário fiscal delicado. Qualquer gestão que assumir o governo lidará com um déficit orçamentário expressivo — estimativas da Secretaria de Fazenda indicavam cerca de R$ 5,5 bilhões. Quando o orçamento fica engessado, a arrecadação mal cobre a folha de pagamento, limitando investimentos em infraestrutura, valorização de servidores e inovação. Contudo, grande parte desse déficit decorre da falta de planejamento e gestão. O orçamento existe, mas precisa ser melhor administrado. É possível cortar despesas significativas logo na transição. O Distrito Federal, por exemplo, gasta mais de R$ 1 bilhão por ano apenas com aluguel de prédios públicos. Além disso, governar o DF exige integrar a gestão pública com o setor privado, otimizando recursos e infraestrutura para alavancar o desenvolvimento regional.

Você defende reformas administrativas. Quais medidas podem ser aplicadas de imediato em uma gestão?

Além do controle de custos, precisamos focar na saúde e na educação. Na saúde, o principal problema hoje é a triagem e o fluxo de atendimento. Pacientes de baixa complexidade frequentemente superlota os hospitais de alta complexidade, como o Hospital de Base, por falta de direcionamento adequado na atenção primária. A solução passa pela transformação digital: implantação de prontuário eletrônico unificado, agendamento inteligente e controle de acesso via tecnologia. Isso otimiza os recursos existentes e alivia a pressão sobre os hospitais. O mesmo raciocínio se aplica à educação pública.

Como candidato a deputado federal, de que forma você pretende atuar no Congresso Nacional, caso eleito?

Minha prioridade no Congresso não será criar um excesso de leis, mas sim promover a revogação de legislações obsoletas e a simplificação do sistema regulatório. Países desenvolvidos operam com matrizes legais enxutas: o Japão possui cerca de 2 mil leis vigentes; a Alemanha, cerca de 5 mil; Singapura, cerca de 520. O Brasil, por sua vez, acumula mais de 180 mil normas, o que gera contradições, burocracia e insegurança jurídica. Pretendo atuar para limpar o arcabouço legal, eliminar redundâncias e adequar o Estado à realidade digital do século 21.

Poderia citar um exemplo prático de legislação que precisa de aperfeiçoamento?

Um exemplo é a legislação aplicável às Manifestações de Interesse Privado (MIP) e licitações. O modelo atual prioriza excessivamente o menor preço em detrimento da qualificação técnica e da inovação. Além disso, não oferece garantias adequadas de proteção à propriedade intelectual das empresas que apresentam projetos ao Estado, o que afasta a iniciativa privada de parcerias estratégicas. No âmbito da saúde pública, precisamos rever normas para ampliar a autonomia de enfermeiros em atendimentos ambulatoriais básicos, reduzindo gargalos operacionais e liberando o corpo médico para casos de maior complexidade.

O DF possui uma economia muito atrelada ao setor público. Como impulsionar o desenvolvimento econômico e o setor produtivo local?

Precisamos modernizar o ambiente de negócios e facilitar o acesso ao mercado de capitais. A elevada carga tributária sobre faturamento, custos e dividendos sufoca a margem das empresas e reduz a capacidade de reinvestimento e geração de empregos. No DF, uma medida crucial é a readequação das regras do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO). Atualmente, o fundo disponibiliza recursos, mas impõe exigências rígidas direcionadas a setores como infraestrutura pública e agricultura (que enfrenta entraves na exigência de garantias imobiliárias devido a pendências fundiárias). Enquanto isso, o setor de comércio e serviços — responsável por cerca de 95% do PIB do DF — atinge rapidamente o teto de captação. Proponho reformular as diretrizes do FCO para direcionar financiamentos ao aumento da capacidade produtiva e ao fortalecimento do capital de giro de empresas de comércio e serviços, garantindo sustentabilidade financeira às PMEs.

Qual é a sua posição a respeito das discussões sobre a escala de trabalho 6×1?

Defendo a prevalência do acordado sobre o legislado e a flexibilidade nas negociações contratuais entre empregados e empregadores. Se as partes definirem uma jornada específica com a remuneração proporcional acordada, essa autonomia deve ser preservada. A rigidez excessiva na regulação muitas vezes limita a criação de novos modelos formais de trabalho. Defendo a melhoria contínua do ambiente de negócios como vetor fundamental para a geração de empregos, atração de investimentos e desenvolvimento social. Um ambiente econômico saudável impacta diretamente a qualidade dos serviços prestados na saúde e na educação. Meu compromisso é trabalhar pela desburocratização, redução de impostos e modernização do Estado. Muito obrigado pela oportunidade.

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Candidato a deputado federal Adriano Amaral é o convidado do JBr Entrevista/ Foto: Rodrigo Lima



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