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sexta-feira, julho 10, 2026

TJSP nega habeas corpus a Marcola e família, alvos de operação com Deolane


A Justiça de São Paulo negou, na quarta-feira (8), habeas corpus e manteve presos Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, seu irmão Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, o Gordão, além dos sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.

Marcola, apontado como um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), e seus familiares são investigados por envolvimento com o crime organizado e um esquema de lavagem de dinheiro da facção, que, segundo as investigações, movimentou mais de R$ 20 milhões ligados ao crime.

O esquema é investigado por meio da Operação Vérnix, da Polícia Federal (PF), que também investiga a influenciadora Deolane Bezerra, acusada de ser “caixa” da facção, recebendo valores do PCC por meio de uma empresa de transportes, a Lopes Lemos Transportes Ltda, apontada como braço financeiro da organização criminosa.

O pedido de habeas corpus, feito pelo advogado Bruno Ferullo Rita, que defende a família Camacho, alegava que os líderes da cúpula já cumprem pena em presídio federal, mas foi negado pela desembargadora Renata William Rached Catelli.

Transportadora

Investigações do Ministério Público e da Polícia Civil revelaram que o esquema do PCC utilizava a empresa Lopes Lemos Transportes Ltda. para ocultar a origem do dinheiro lavado, que viria do crime organizado. A transportadora teria movimentado mais de R$ 20 milhões em operações, valores incompatíveis com a capacidade econômica da empresa.

A Justiça destacou a maneira pela qual a operação era feita e como era seu controle. Gordão e Marcola seguiam tomando as decisões do esquema financeiro e coordenando o PCC, mesmo isolados em penitenciárias federais de segurança máxima.

De acordo com os documentos, em julho de 2019, agentes penitenciários encontraram papéis que continham registros do esquema durante uma revista na cela das lideranças da cúpula do PCC, “Maradona” e “Cigano”. Os manuscritos citavam os nomes de Marcola e seu irmão ligados a operações criminosas.

A investigação apurou que, para que a engrenagem funcionasse, os líderes da cúpula contavam com um núcleo operacional externo. Mensagens encontradas no celular de Ciro César Lemos, administrador da transportadora, mostraram que ele recebia ordens diretas dos irmãos há cerca de quatro anos.

As mensagens chegavam a Ciro por meio da filha de Gordão, Paloma Sanches Herbas Camacho, que atuava como “mensageira” de Marcola, repassando ordens sobre compra de caminhões, percentuais de lucros e contas bancárias para depósitos. Esse controle, mesmo de dentro da prisão, foi um dos argumentos para que a prisão fosse mantida.

Defesa

A defesa dos investigados argumentou que um novo decreto de prisão preventiva seria desnecessário e não teria efeito, já que eles estão no regime prisional mais rigoroso do país, sem risco de fuga. Além disso, os advogados apontaram que os fatos centrais são muito antigos, tendo ocorrido em 2019 e 2022.

Em nota, o advogado da família Camacho, Bruno Ferullo Rita, afirma que recorrerá a instâncias superiores.

“Cumpre esclarecer que os habeas corpus julgados discutiam exclusivamente a legalidade das prisões preventivas, não tendo havido qualquer análise sobre o mérito das acusações formuladas, que seguem sendo discutidas nos autos principais. A defesa recorrerá às instâncias superiores para reformar a decisão que manteve as prisões preventivas”

Justiça

O TJSP negou os argumentos da defesa, citando a capacidade dos envolvidos em comandar um esquema que movimenta milhões mesmo dentro de um presídio, o que evidencia risco à ordem pública.

Conforme a justiça, o tipo de crime cometido também influenciou a decisão, considerando que lavagem de dinheiro e organização criminosa são delitos “de natureza permanente”, ao contrário de crimes de ocasião, que costumam ser de longa duração e aumentar com o tempo.

O tribunal também destacou que medidas restritivas alternativas (como tornozeleira eletrônica ou proibição de contato) seriam “manifestamente insuficientes” devido ao grande poder dos acusados no Primeiro Comando da Capital, já que, mesmo presos, conseguem burlar o isolamento com o exterior que deveria existir em uma prisão.



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