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sexta-feira, julho 10, 2026

China compra lotes de cafés produzidos porulheres do Cerrado Mineiro


Nomes femininos e as traduções em mandarim encampam o rótulo de café mineiro que tem destino certo: a China. A partir de uma parceria entre a empresa chinesa Donna Jannie e a Expocacer (Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado), lotes produzidos por mulheres do Cerrado Mineiro são vendidos pela primeira vez ao país asiático.

A primeira remessa, composta por microlotes especiais e “fine cup” do programa Elas no Café, deixou o Brasil em 17 de junho e deve chegar a Xangai em 30 de julho.

A iniciativa marca a entrada desses cafés em um projeto de longo prazo voltado ao mercado chinês, com perspectiva de embarques mensais, segundo a Expocacer.

O acordo foi assinado pela empresária chinesa Jian Xueya, conhecida no Brasil como “Dona Jane”, fundadora da marca homônima. A proposta é importar, principalmente, cafés produzidos por cooperadas da Expocacer e comercializá-los na China por meio da marca Lady Coffees.

Em nota, Jian afirmou que cada embalagem trará o nome da produtora responsável pelo lote, como forma de valorizar o trabalho feminino na cafeicultura brasileira. Parte do café também será distribuída a cafeterias chinesas por meio de um parceiro local de torrefação.

A exportação inclui quatro lotes produzidos por associadas da cooperativa: Celia Regina Alves Nunes, da Fazenda Claudio; Mariana Velloso Heitor, da Fazenda Gigante Leal; Sarah Mendes Nascimento, da Fazenda São Pedro de Alcântara; e Vera de Oliveira Nunes Figueiredo, da Fazenda Freitas.

De acordo com a gerente de Cafés Especiais da Expocacer, Sandra Moraes, as remessas selecionadas atendem a um pedido específico da importadora chinesa, que buscava “cafés delicados e com diversidade de perfis sensoriais” em função de diferentes públicos consumidores no país asiático.

Embora o consumo per capita ainda seja baixo em comparação com mercados tradicionais, a cooperativa avalia que a demanda avança em ritmo acelerado, puxada sobretudo pelos consumidores mais jovens e pela valorização crescente de cafés de maior qualidade.

“A evolução do consumo de café na China e a valorização de produtos de alta qualidade abrem oportunidades promissoras para ampliarmos a presença do café brasileiro nesse mercado”, afirmou Sandra Moraes, em comunicado.

Jian Xueya diz que a estratégia da Donna Jannie é justamente posicionar o café brasileiro especial em um nicho premium, em meio a uma mudança no perfil de consumo chinês.

Segundo ela, o mercado local, historicamente mais concentrado em bebidas com leite e preparações adoçadas, passou a abrir mais espaço para cafés puros e de maior qualidade, especialmente em cidades como Xangai.

“Na China sempre se trabalhou com preço mais baixo, mas quero trabalhar com excelência. É mais caro, mas é bom”, afirmou a empresária.

A importadora conta que o interesse pelos cafés produzidos por mulheres surgiu em 2022, durante uma visita à Expocacer no Brasil, quando conheceu o programa Elas no Café. A partir dali, decidiu criar uma linha própria para esses produtos, associando cada lote à história de uma produtora.

A cooperativa de cafés especiais mantém 140 mulheres no programa Elas no Café, o equivalente a cerca de 20% do quadro de associados. Juntas, as produtoras respondem por 534 mil sacas de 60 quilos de café em uma área de 13,4 mil hectares.

A China vem ganhando relevância como destino do café brasileiro. Em 2025, o país importou 1,123 milhão de sacas de 60 quilos do produto nacional, o equivalente a 2,8% dos embarques totais do Brasil, segundo dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

Com esse volume, o mercado chinês ocupou a 10ª posição entre os principais destinos do café brasileiro no ano passado.



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