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segunda-feira, junho 8, 2026

Uber libera avaliação de 6 estrelas exclusiva no Brasil de olho no hexa


Estou no banco de trás de um Uber subindo a ladeira do Cosme Velho quando o motorista me mostra, todo orgulhoso, que pode receber selo de seis estrelas a partir de hoje. A empresa anunciou em São Paulo que o recurso é temporário, exclusivo do mercado brasileiro, e nasceu dentro da campanha Chega Junto, que marca o patrocínio à CBF. Reparem na jogada: mexer numa ferramenta que existe igual no mundo inteiro só para acariciar o ego de um país que trata a sexta estrela como questão de Estado.

Quem entende de marketing sabe que isso aqui é cirúrgico. O time de engenharia adaptou a arquitetura global inteira. A sexta nota não altera o histórico real do motorista, serve apenas como medalha visual, e mesmo assim virou conversa de fila de aeroporto. A Uber instalou painéis avisando turista gringo que a sexta estrela está disponível apenas em países que já têm cinco, e fecha com um docinho envenenado: que bom que você está no Brasil. É deboche institucionalizado, e eu aplaudo de pé.

O lance de gênio mesmo foi a escolha do embaixador. Ronaldinho Gaúcho aparece com aquele sorriso de quem ganhou tudo e ainda sobrou charme, soltando um “Lo siento” para os rivais enquanto desfila o repertório poliglota provocando torcedor de fora. Nas redes, criadores do universo da bola já estão de prontidão para zoar adversário durante o torneio, e a hashtag vai render mais que pênalti polêmico em final de campeonato. Marca que entende timing de internet não precisa gritar, ela cutuca.



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