O estado do Tocantins registra a maior taxa de inadimplência do Brasil, de acordo com dados do Banco Central referentes a dezembro de 2025. Durante o CNN 360º desta quarta-feira (22), o analista de Economia Fernando Nakagawa detalhou o cenário do endividamento no país.
Segundo o levantamento, Santa Catarina apresenta o menor patamar de inadimplência da pessoa física, com 3,9%. Entre os sete estados das regiões sul e sudeste, apenas o Rio de Janeiro conta com inadimplência acima dos 6%: “A economia do Rio de Janeiro tem passado por um momento conrtubado por uma série de aspectos e não tem tido muita tração”, destacou Nakagawa.
Os estados do Centro-Oeste e do Norte, especialmente na região conhecida como Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), enfrentam os maiores problemas com dívidas não pagas. O analista explicou que a situação econômica do agronegócio tem impactado significativamente esses números.
“O agro passou por maus bocados nos últimos semestres, e muita gente pega a dívida na pessoa física para plantar”, explicou Nakagawa, apontando que esse fator contribui para a alta inadimplência nessas regiões.
Cartão de crédito é o principal vilão
O levantamento também mostrou que a inadimplência no cartão de crédito é particularmente preocupante. Em vários estados, como Maranhão, Pará, Amazonas e Goiás, esse índice supera 10%. “Isso quer dizer que a cada R$ 1.000 emprestados pelos cartões, R$ 100 deixaram de ser pagos”, detalhou o analista.
Mesmo em estados com economia mais forte, como São Paulo, a inadimplência no cartão de crédito chega a quase 9%. A situação é ainda mais grave considerando que os juros nessa modalidade podem chegar a 400%, tornando-a a dívida mais cara para o consumidor. O cenário de endividamento contrasta com outros indicadores econômicos que apresentam resultados mais positivos.
“Os indicadores econômicos, como inflação, desemprego e crescimento da economia, todos estão relativamente bem. Apesar disso, a sensação das pessoas não está indo bem”, analisou Nakagawa, apontando que as dívidas acumuladas são um dos principais fatores para essa percepção negativa da economia.



