
A chegada de Maílton ao São Paulo, que parecia encaminhada, ainda não foi oficializada devido a um impasse jurídico envolvendo o Metalist, da Ucrânia, clube detentor dos direitos do lateral-direito. O Tricolor chegou a um acordo com o atleta e com a equipe europeia, que aceitou liberá-lo mediante a quitação de uma dívida de aproximadamente R$ 4 milhões. O jogador já se despediu da Chapecoense, onde estava emprestado, e treina no CT da Barra Funda, mas sua inscrição depende de uma solução nos bastidores.
O entrave ocorre porque o Metalist cumpre três punições da FIFA em 2024, conhecidas como transfer bans. Essas sanções impedem o registro de novos atletas ou o retorno de jogadores emprestados, caso de Maílton. Para viabilizar a transferência, seria necessário encerrar o vínculo com a Chapecoense, reintegrá-lo ao clube ucraniano e, só então, transferi-lo ao São Paulo, processo inviável enquanto as restrições estiverem ativas.
Diante disso, o departamento jurídico tricolor solicitou à FIFA uma autorização excepcional que permita a liberação do jogador, independentemente das sanções aplicadas ao Metalist. A diretoria demonstra confiança em uma solução antes do fechamento da janela nacional, no dia 2 de setembro.
“Essa é uma situação bastante complexa. O sistema de transferências não impede a renovação de contratos quando já existe vínculo. Mas, no caso de um empréstimo, é necessário todo o trâmite: encerrar a cessão, registrar o retorno ao clube de origem e só então concluir a nova transferência”, explica Talita Garcez, especializada em Direito Desportivo.
Mesmo que a autorização não seja concedida até o fim da janela, o São Paulo acredita que poderá concluir o registro posteriormente, já que considera ter cumprido todas as obrigações da negociação.
“O São Paulo pode, sim, ficar sem o jogador se não houver rescisão formal ou liberação diante do transfer ban. É um caso raro, mas existe margem para defender uma exceção, já que não se trata da chegada de um reforço inédito, mas de um atleta que já possui contrato com o Metalist. É nessa linha que o pedido deve estar sendo sustentado”, completa a advogada.
A urgência cresce porque o elenco tricolor sofre com baixas. O atacante André Silva lesionou gravemente o joelho e ficará fora por longo período, aumentando a necessidade de reforços. Além disso, o clube acabou de superar seu próprio bloqueio na FIFA, que já havia atrasado movimentações na atual janela.
Maílton, de 27 anos, revelado pelo Palmeiras, já passou por diversos clubes no Brasil antes de se transferir ao Metalist em 2022. Versátil e experiente em competições nacionais, chega com a missão de reforçar a lateral direita e ampliar as opções defensivas do São Paulo.



