A Capcom coleciona tentativas falhas de fazer um jogo multiplayer de Resident Evil. Tivemos RE: Operation Raccoon City, Umbrella Corps, RE: Resistance e o mais recente e esquecido REVerse. Todos eles falharam em trazer a essência da franquia, o survival horror, e falham até mesmo no excesso de ação, que retira totalmente o terror da saga. Porém, após tantos erros, a chave para o sucesso multiplayer da série pode estar em seu passado.
No dia 11 de dezembro de 2003 era lançado para PlayStation 2, Resident Evil: Outbreak, spin-off da saga que põe o jogador em diversos cenários de Raccoon City durante o surto do T-Vírus. Além de mapas que o jogador escolhia a ordem em que gostaria de jogar, o player tinha à disposição oito personagens, cada um deles com sua habilidade e característica especial. Se você quisesse controlar alguém mais forte e habilidoso com armas, tinha o policial da R.P.D. Kevin Ryman, equipado com uma pistola com munição especial que tinha uma taxa de acertos críticos maior. Se você quisesse explorar mais os mapas e abrir as gavetas e portas trancadas, a melhor opção seria a jornalista Alyssa Ashcroft — que é citada em arquivos de Resident Evil 7: Biohazard e tinha como ítem especial um Lock Pick.

Porém, o brilho de RE Outbreak não estava somente em seus cenários diversos e personagens únicos. O game foi ousado em 2003, ano em que os jogos online estavam dando os primeiros passos, mas ainda eram bem inacessíveis. Outbreak deixava você jogar até com quatro amigos online, mas não tinha nenhuma opção de multiplayer local, o que matava muito a experiência do jogo. É muito raro você ver alguém contar a experiência com esta obra sendo jogada com os amigos por este tipo de conexão que é extremamente comum nos dias atuais.
RE Outbreak é um título bastante querido pelos fãs da série, por conta de sua jogabilidade clássico que remete à trilogia inicial do PlayStation 1, sua vibe que transborda o mais clássico e puro survival horror e ótimos inimigos e cenários, alguns deles sendo bastante assustadores. Porém, ele e sua sequência File #2 estão presos no PS2 até hoje, e isso pode ser um dos maiores erros da Capcom.
O sucesso multiplayer da franquia pode ser resgatar o passado
Resgatar o passado já salvou Resident Evil uma vez, quando o sétimo título numerado da franquia a trouxe de volta aos primórdios, com uma jogabilidade mais lenta, ambientes mais claustrofóbicos e o resgate do horror de sobrevivência. Após tantas falhas em jogos multiplayer que só atraem o ódio e desprezo dos fãs, por que não arriscar e trazer a proposta de Outbreak de volta?

Resident Evil é uma franquia onde o leque de possibilidades é enorme, e jogos mais de terror como RE1, RE2 e RE7 deram muito certo, mas os títulos que possuem pitadas de ação também se dão muito bem e têm o carinho dos fãs, como: RE3, RE4 e RE: Village. Outbreak une os dois gêneros em uma dose certa e traz um fator de rejogabilidade muito alto, já que cada um dos oito personagens possui seu cenário próprio somando os dois jogos.
Trazer Outbreak para os dias atuais é uma missão que não possui muitas dificuldades, já que hoje temos uma lore muito maior para Resident Evil do que tínhamos em 2003, ou seja, as possibilidades são ainda maiores para personagens, cenários e mecânicas. Apostar em jogos como Umbrella Corps e REVerse só frustrou ainda mais os fãs, que neste ponto não desejam mais uma experiência multiplayer dentro da franquia. Isso é algo que um jogo como Outbreak poderia subverter, já que em vez da gameplay “for fun” que esses títulos citados possuem, ele opta em ter uma campanha, entregar começo, meio e fim, com o estilo de progressão que os fãs do gênero survival horror amam. Por isso, o segredo para o tão desejado sucesso multiplayer de Resident Evil, que a Capcom tanto persegue, pode estar no passado da franquia e não em um futuro fadado à perdição com jogos como REVerse.
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