A virada de um ano marcado por fortes turbulências provocadas pela adoção de uma política monetária mais agressiva na maior economia do mundo pode trazer certo respiro para as ações brasileiras em 2024.
É isso o que pensa a XP. Em relatório onde detalha as melhores classes de ativos para investir no ano que vem, a companhia destacou que está “otimista” com a Bolsa Brasil.
Na avaliação da casa, um dos fatores que podem ajudar é a chance de uma mudança na política monetária americana, com a precificação de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) possa iniciar o ciclo de corte de juros em meados do ano que vem, o que iria favorecer a renda variável em países emergentes, com destaque para o Brasil.
“Considerando os problemas que a China e outros mercados emergentes enfrentam, parece provável que o Brasil vá se beneficiar, já que está à frente do mundo no ciclo monetário, além de métricas fundamentalistas indicarem que o mercado brasileiro está barato”, afirmam os especialistas.
A XP também pondera que o recuo da Selic deve ajudar a trazer fluxo para fundos de investimento, como multimercados e fundos de ações. No acumulado do ano até a última terça-feira (28), fundos de ações e multimercados tiveram saídas líquidas de R$ 24,7 bilhões e de R$ 95,5 bilhões, respectivamente.
Nos cálculos da casa, o Ibovespa poderia chegar até 142 mil pontos no fim de 2024. Entre os setores que a XP está otimista para o ano que vem está o agronegócio.
Apesar dos preços mais baixos da soja e do milho, os analistas da casa destacaram que os produtores conseguiram obter margens mais “saudáveis”, na média, o que é positivo. A casa também espera safras abundantes para 2024, o que poderia impulsionar o lucro das empresas.
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Por outro lado, a XP afirmou que está menos otimista com as ações de mineração e siderurgia. “Esperamos outro ano desafiador, com visibilidade limitada dos aumentos de preços apoiando espaço limitado para recuperação da lucratividade”, observaram.
A visão, porém, é diferente para a Vale (VALE3). Para a casa, as ações da companhia poderiam ter uma alta no curto prazo, se os preços de minério de ferro permanecerem em níveis elevados, o que a XP considera “razoável”, devido às expectativas de reposição de estoques de minério e mais estímulos chineses.
Mix de alocação
Na avaliação da XP, o ciclo de cortes de juros do BC deve impulsionar o investidor a realizar um mix de alocação entre ações e fundos imobiliários (FIIs), além de fundos multimercados locais.
“Em ciclos de queda de juros, esses ativos tendem a ter uma performance interessante no curto prazo, porém na seleção individual desses ativos, sugerimos escolher aqueles que sejam sustentáveis e representem bons negócios também no longo prazo”, ponderaram.
Preferência por inflação
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Diante de um maior otimismo com a renda variável local, a casa preferiu manter uma alocação neutra para boa parte da renda fixa brasileira.
A preferência tem sido pela renda fixa atrelada à inflação. Segundo a XP, os cortes de juros à frente sugerem uma maior propensão a reduzir um pouco mais a parcela em renda fixa pós-fixada atrelada ao CDI ou à Selic, ao mesmo tempo em que a casa recomenda manter a alocação em renda fixa atrelada à inflação em patamares elevados e exposições mais limitadas em prefixado, para atuar de forma mais tática.
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Apesar de estar reduzida, a XP afirma que a alocação em títulos pós-fixados deverá ser a mais expressiva das carteiras, desde a mais conservadora até a mais moderada.
Cautela com exterior
Enquanto no Brasil, o cenário parece de maior otimismo, a cautela domina a visão da XP para o ambiente externo. No relatório, apenas Brasil e China foram colocados com perspectiva atrativa pela casa.
Apesar do ano mais difícil, os analistas ponderaram que os múltiplos estão baixos na China e que a região deve apresentar crescimento econômico e de lucros maior do que está precificado no ano que vem.
Por outro lado, a XP destacou que está com uma visão neutra para Europa, Reino Unido, Japão e mercados emergentes.
Já sobre o Estados Unidos, a perspectiva é um pouco pior, com uma visão negativa. Segundo a casa, as estimativas de crescimento de lucro das empresas estão “muito altas” em meio a um ambiente macroeconômico mais desafiador, além do que os valuations estariam elevados.
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No documento, a casa disse ver dois cenários prováveis para a economia global em 2024. O primeiro prevê que a atividade econômica consiga manter a resiliência vista em 2023 e que a inflação não ceda, o que obrigaria os bancos centrais a apertar mais as condições monetárias, aumentando o prêmio de risco das outras classes de ativos e pressionando os preços para baixo.
Já o segundo cenário projeta que as economias entrariam num período de crescimento fraco, ou até mesmo recessão, ou seja, não seriam capazes de manter a resiliência do ano anterior.
Nesse caso, lembra a XP, os lucros das empresas seriam impactados negativamente e forçariam analistas a revisar para baixo as suas projeções.
Renda fixa global atrativa
Embora esteja com uma visão entre neutra e negativa para o cenário internacional no ano que vem, a casa informou que elevou a perspectiva para a renda fixa global, de neutra para positiva.
No documento, os analistas destacaram que a renda fixa global, especialmente a dos EUA, se mostra em patamares bastante atrativos em termos de retornos esperados, como não se via há anos.
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Apesar disso, a casa reforçou que há riscos no radar, como a cautela com o aumento da duration dos títulos e uma possível abertura nos spreads de crédito dos títulos corporativos high yield (maior risco e retorno).



