O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) confirmou nesta segunda-feira (28) que participará, às 21h, do SantoFlow, podcast voltado ao público católico. A entrevista será transmitida pelo canal do programa no YouTube e ocorre em meio à repercussão da notícia falsa que associou o senador a uma suposta iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
O compromisso coloca Flávio diante do público católico a menos de uma semana do primeiro turno. Desde que o boato ganhou força nas redes sociais, a campanha passou a tratar o episódio como uma preocupação na reta final da eleição. Segundo apuração da Jovem Pan, aliados identificaram risco de desgaste entre eleitores católicos e prepararam uma reação política, jurídica e digital para conter a narrativa.
No domingo (27), durante agenda em Goiânia, Flávio classificou o episódio como a “maior fake news da campanha” e acusou o PT de ter contado com a ajuda de pessoas ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para impulsionar a informação.
“A maior fake news da campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida, algo que nunca, não existia esse movimento para tirar ela de ser padroeira do Brasil. Jamais existiu. Não tem projeto. Não tem nada. E o PT, eu sei hoje, já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com a ajuda de gente dentro da CNBB”, disse.
A CNBB reagiu às declarações e negou ter produzido, autorizado ou participado da divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral. A entidade também afirmou que não integra estruturas político-partidárias e declarou que atribuir à Conferência participação em redes de desinformação sem provas “atinge injustamente a instituição”.
A controvérsia também chegou ao Judiciário. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada de 1.125 publicações que associavam Flávio ou sua família à proposta. Segundo a decisão, era “notoriamente inverídica” a afirmação de que o candidato tivesse proposto, articulado ou apoiado a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida.
No domingo, porém, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou a determinação de Mendonça após um pedido apresentado pelo humorista Antonio Tabet, autor de uma das publicações removidas. Dino também determinou o restabelecimento de outras postagens excluídas pelo mesmo fundamento, citando a proteção à liberdade de expressão e religiosa.
A decisão provocou reação da campanha de Flávio. O coordenador da candidatura, senador Rogério Marinho (PL-RN), acusou Dino de interferência eleitoral, enquanto a equipe jurídica questionou a competência do STF para derrubar a ordem proferida no âmbito da Justiça Eleitoral.



