14.5 C
Brasília
domingo, agosto 16, 2026

Preloved | Jovem Pan


As roupas de segunda mão deixam os brechós e chegam às araras das grandes marcas

“A decepção de uma mulher pode ser a felicidade de outra”. A frase, dita por Charlotte York em Sex and The City, se refere a relacionamentos. Mas, hoje, cabe em um movimento interessante que toma conta do varejo de moda.

Redes como H&M, Zara e Banana Republic passaram a reservar espaço dentro de suas próprias lojas para vender roupas de segunda mão. As chamadas seções preloved (ou “amadas anteriormente”) reúnem peças usadas que ganham a araras, agora sob a curadoria da própria marca.

As peças da sessão preloved podem ser da própria ou de outras marcas. | FOTO: H&M/Divulgação

À primeira vista, a ideia parece uma resposta natural às crescentes cobranças por sustentabilidade e do próprio consumidor. Mas existe um segundo motivo, bem menos romântico do que o nome propõe: o negócio.

O mercado de revenda cresce em ritmo acelerado e deixou de ser exclusividade de brechós e plataformas especializadas. As grandes marcas perceberam que estavam perdendo uma fatia importante desse mercado e decidiram disputar esse consumidor dentro de casa. 

No Brasil, essa tendência ainda engatinha. Pelo contrário: alguns movimentos recentes parecem apontar para a direção oposta. O Grupo Azzas, por exemplo, encerrou a Troc, plataforma especializada em moda circular adquirida pela holding.

Isso não significa que a revenda perdeu relevância. A diferença é que, quando as grandes varejistas entram nesse mercado, a lógica continua sendo vender mais. Em muitos desses programas, as marcas recebem as roupas usadas por valores muito baixos, em créditos para compras futuras ou até gratuitamente

Nova estratégia contribui para a margem de lucro das fast-fashions. | FOTO: Nadin/Pexels

Será que esse tipo de ação é realmente sustentável? Não faria mais sentido reduzir o consumo e a produção de novas peças, em vez de apenas revender as usadas?

Enquanto o sucesso de uma empresa continuar sendo medido pelo volume de peças comercializadas, até a moda circular corre o risco de se tornar apenas mais um capítulo da mesma lógica de consumo. 



Source link

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

NOTÍCIAS