A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) lançou, na tarde desta terça-feira (11), na Câmara dos Deputados, o Painel Gasto Brasil, ferramenta criada para ampliar o acesso da população a informações sobre as despesas públicas no país. A apresentação ocorreu no Salão Nobre da Casa e reuniu representantes do setor produtivo e parlamentares em torno do debate sobre transparência, eficiência dos gastos e equilíbrio das contas públicas.
Criada pela CACB em parceria com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a plataforma reúne dados dos governos federal, estaduais e municipais e permite acompanhar despesas com pessoal, previdência, encargos sociais e investimentos, como obras e aquisição de imóveis. Durante o lançamento, também foram apresentadas novas funcionalidades, com recortes econômicos, detalhamento de valores por população e indicadores relacionados à qualidade das informações.
Os números apresentados chamam atenção para o tamanho das despesas públicas. Em âmbito nacional, o gasto governamental já havia ultrapassado R$ 3,3 trilhões no levantamento parcial de 2026. Desse montante, mais de R$ 1,5 trilhão, o equivalente a 46%, correspondia ao governo federal. Os estados somavam R$ 902 bilhões e os municípios, R$ 884,5 bilhões.
DF chega a R$ 37 bilhões
No Distrito Federal, todos os gastos do governo para manter a máquina pública, prestar serviços à sociedade e realizar investimentos, chegaram a R$ 37 bilhões entre 1º de janeiro e 5 de agosto deste ano. Considerando uma população de aproximadamente 2,8 milhões de habitantes, o montante representa cerca de R$ 13,2 mil por pessoa. O valor acumulado no período equivale a 10,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do DF registrado em 2025, de R$ 365,6 bilhões.
O levantamento mostra ainda que o Distrito Federal responde por 32,5% dos R$ 113,8 bilhões em despesas públicas contabilizados no Centro-Oeste neste ano. Os dados são parciais e, portanto, devem continuar aumentando até o encerramento de 2026.
Presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto afirmou que o objetivo da ferramenta é tornar as informações mais acessíveis para que tanto a sociedade quanto os próprios parlamentares possam acompanhar a qualidade da aplicação dos recursos públicos.
Segundo Cotait, a iniciativa não possui finalidade eleitoral nem pretende substituir o papel dos órgãos responsáveis pela fiscalização. “É uma ferramenta de transparência e de acompanhamento dos gastos públicos”, explicou. Para ele, tornar os números visíveis ajuda a colocar a situação fiscal do país no centro do debate e permite observar de maneira mais clara a evolução das despesas.
Alerta para as contas públicas
Durante o lançamento, Cotait também chamou atenção para a relação entre o crescimento da dívida e o desempenho da economia brasileira. Segundo o presidente da CACB, enquanto a dívida cresce em ritmo de aproximadamente 6% ao ano, a economia avança em torno de 3%. Na avaliação dele, é necessário interromper o avanço da relação entre dívida e PIB e ampliar a capacidade de investimento do país.
Entre os caminhos defendidos pelo dirigente está a retomada da discussão sobre a reforma administrativa na próxima legislatura. Cotait argumentou que uma redução gradual da relação dívida-PIB poderia contribuir para reorganizar as contas públicas, mas ponderou que o equilíbrio não depende apenas de cortes. O crescimento econômico e o aumento de investimentos em áreas como infraestrutura e educação também seriam fundamentais nesse processo.
Para ele, a apresentação dos dados em tempo real ajuda a dimensionar o problema para além de números isolados. Cotait também relacionou o cenário fiscal ao nível dos juros e às dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo para realizar novos investimentos.
Fiscalização pelo Congresso
Presente no lançamento, o deputado federal Joaquim Passarinho (PL-PA) destacou que a organização dos dados pode auxiliar o próprio Congresso na fiscalização da execução orçamentária. Para o parlamentar, informações detalhadas permitem observar a situação de municípios, estados e da União e avaliar com maior precisão a eficiência dos recursos empregados.
“Nós não podemos pagar tanto imposto e receber tão pouco em troca”, afirmou Passarinho ao Jornal de Brasília. Segundo ele, o acesso a dados qualificados facilita o acompanhamento da execução do Orçamento, que é analisado e votado pelo próprio Congresso Nacional.
O deputado defendeu ainda que o painel seja utilizado não apenas pelos parlamentares, mas também pela imprensa, pelos órgãos de fiscalização e por entidades da sociedade civil. “Principalmente que ela possa ser usada por nós, que temos aqui o nosso dever de fiscalizar a execução do orçamento da União”, completou.
Também participaram do evento a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e os deputados federais Soraya Santos (PL-RJ), Luiz Gastão (PSD-CE), Jorge Goetten (Republicanos-SC), Joaquim Passarinho (PL-PA) e Adriana Ventura (Novo-SP).
Além do lançamento, o Painel Gasto Brasil ficará exposto no Espaço Mário Covas, na Câmara dos Deputados, até quinta-feira (13). A proposta é aproximar os números das despesas públicas de quem acompanha e participa das decisões sobre o uso dos recursos arrecadados no país.



