Pré-candidata à CLDF, Renata Daguiar fala sobre a descoberta das condições aos 37 anos e defende mais acesso ao diagnóstico e ao acompanhamento na vida adulta
No Dia Internacional da Superdotação, celebrado nesta segunda-feira (10), a candidata à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), Renata Daguiar, destaca a importância da representatividade de pessoas neurodivergentes em espaços de decisão. Auditora federal de Finanças e Controle, mestre em Economia e ex-subsecretária de Promoção das Mulheres, ela recebeu, aos 37 anos, os diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) grau 1 e altas habilidades/superdotação (AH/SD), após meses de testes e avaliações.
A busca por respostas começou depois de uma palestra. A partir daí, Renata Daguiar procurou especialistas para investigar características que faziam parte de sua vida e que, até então, não tinham explicação.
A descoberta ocorreu após anos de formação acadêmica, aprovação em concurso público e atuação na administração pública. Para a candidata a deputada distrital, a nova perspectiva sobre si mesma não diminui as conquistas alcançadas nesse período.
“Eu vivi 37 anos da minha vida, tudo bem, internamente, com as minhas angústias de adaptação, mas eu vivi e eu vivi bem. É muito importante estar em espaços de representatividade, de poder de decisão, porque, primeiramente, isso quebra preconceitos. Esse diagnóstico não muda quem eu sou. Sou a mesma Renata, mestre em Economia, auditora, do mesmo jeito, mas agora eu entendo e me entendo”, afirma.
A coexistência do TEA com altas habilidades/superdotação é conhecida como dupla excepcionalidade. A facilidade para interpretar situações com rapidez, segundo ela, ajudou na criação de estratégias para lidar com diferentes ambientes e interações sociais.
“Claro que eu fui diagnosticada com TEA grau 1 e altas habilidades, então a gente traz aí um mascaramento muito mais aperfeiçoado, porque a alta habilidade me permite fazer uma leitura muito rápida das situações e conseguir me adaptar”, explica.
A experiência também levou a pré-candidata a defender uma atuação voltada às pessoas que chegam à vida adulta sem diagnóstico, com atenção ao acesso e à continuidade do cuidado.
“É muito importante a gente ter essa compreensão, a gente estar nesses espaços para que a gente quebre o preconceito da sociedade e, claro, a gente entenda o que é necessário para fazer com que pessoas que também não receberam diagnóstico tenham mais qualidade de vida”, defende.
Filiada ao Republicanos, a auditora federal de Finanças e Controle volta a disputar uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal nas eleições deste ano. Em 2022, obteve quase 12 mil votos na disputa por uma cadeira na CLDF.



