Em 2025, o Brasil registrou 60.830 casos envolvendo o crime de violência psicológica contra mulher. Os dados fazem parte do levantamento realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e enviado com exclusividade à CNN Brasil nesta quinta-feira (23).
Segundo o estudo, o crescimento desse crime foi de 16,9% comparado ao ano anterior. O aumento representa uma taxa de 55,6 registros a cada 100 mil mulheres.
A violência psicológica é caracterizada por comportamentos que causam dano emocional, diminuem a autoestima da vítima ou buscam controlar suas ações. O crime foi incorporado ao Código Penal em 2021, por meio da Lei nº 14.188. A pena é de seis meses a dois anos de reclusão para o agressor.
O levantamento também mostra que o avanço deste tipo de crime acompanha a crescente de outros indicadores relacionados à violência doméstica e de gênero.
Em 2025, o país registrou 132.025 casos de descumprimento de medidas protetivas de urgência, crescimento de 16,7% na comparação com 2024.
Também houve alta de 0,5% nas ocorrências de ameaça, que somaram 788.531 registros.
Entre os crimes que antecedem o feminicídio, a violência psicológica costuma ser uma das que mais crescem, perdendo apenas para o crime de perseguição (stalking) que somou 123.871 casos, com uma alta de 30,1% nos registros.
Veja os índices:
Análise por regiões
Quando olhado por regiões, Roraima é o estado que mais chama a atenção, com uma taxa de 1.173,5 por 100 mil mulheres – mais de vinte vezes a média nacional.
Já o Mato Grosso teve a segunda pior taxa do país (192,3) e um crescimento de 70,3% dos registros.
Esse contexto tende a ser preocupante visto que, para cada feminicídio consumado, o país teve 38,7 casos de violência psicológica. Ao todo, foram 1.571 vítimas assassinadas em 2025.
Veja o índice:
Perfil das vítimas
Segundo o levantamento, 65,1% das mulheres assassinadas por razões de gênero em 2025 eram negras. Mais da metade das vítimas (56,5%) tinha entre 25 e 44 anos, faixa etária de maior incidência dos casos.
Além disso, 62,5% dos feminicídios ocorreram dentro da residência, evidenciando que o lar segue sendo o principal cenário da violência letal contra as mulheres.



