O presidente americano, Donald Trump, participou da cerimônia de repatriação dos corpos de quatro militares americanos mortos no conflito no Oriente Médio. A Casa Branca confirmou a presença de Trump no evento, realizado na segunda-feira (20), após o presidente prometer retaliar o Irã pelos ataques que vitimaram os soldados. A analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta comenta o tema ao CNN 360°.
Segundo as forças dos Estados Unidos, três dos militares mortos foram vítimas de ataques do Irã na Jordânia. O quarto soldado morreu durante a detonação de um explosivo iraniano no Iraque.
Trump classificou os militares como heróis e afirmou que esse tipo de cerimônia representa uma das partes mais difíceis do trabalho presidencial.
Rejeição crescente entre os americanos
Fernanda Magnotta destacou que dois elementos historicamente mobilizam a opinião pública de maneira consistente: o desemprego e o chamado “rosto humano” da guerra, representado pelo retorno dos corpos de soldados mortos em combate.
Segundo ela, Trump sabe que imagens como as da cerimônia de repatriação expõem o governo à discussão sobre se o sacrifício compensa, agregando pressão adicional ao conflito.
Apesar de Trump insistir que a maioria dos americanos não é contrária à guerra, as pesquisas mais recentes apontam na direção oposta.
De acordo com os dados citados por Magnotta, 68% dos americanos afirmam que a guerra não vale a pena, enquanto apenas 28% acreditam que os custos e riscos envolvidos justificam o investimento dos Estados Unidos no conflito.
A analista alertou que essa discrepância pode fazer com que Trump pareça desconectado de seu próprio público, especialmente em um ano eleitoral.
Conflito se torna impopular mais rapidamente do que guerras anteriores
Em perspectiva histórica, Magnotta ressaltou que o conflito contra o Irã se tornou muito mais rapidamente rejeitado do que outros conflitos polêmicos da história americana, como as guerras do Iraque e do Vietnã.
Segundo ela, trata-se de um conflito ainda menos complexo do que esses anteriores — que envolveram ocupação e invasão por terra — mas que chegou ao mesmo nível de impopularidade em apenas cinco meses.
“Isso mostra uma baixa tolerância da sociedade norte-americana em relação a esse conflito”, afirmou Magnotta.
A analista concluiu que a tendência é de crescimento da rejeição, com americanos e políticos cada vez mais questionando os objetivos estratégicos, a duração e o racional de custo-benefício da guerra — movimento observado inclusive entre republicanos.



