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sábado, junho 6, 2026

Pesquisadores registram crescimento inédito de filhote de mico-leão-preto


Pela primeira vez na história, pesquisadores do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) conseguiram registrar e acompanhar o crescimento de um filhote de mico-leão-preto em seu habitat natural. O monitoramento inédito abrange desde o nascimento até os primeiros meses de vida do animal, em um registro raro de uma das espécies mais ameaçadas de extinção no Brasil (veja as imagens mais abaixo).

As imagens fazem parte de um estudo internacional e foram capturadas por meio de 27 armadilhas fotográficas instaladas em troncos de árvores, a alturas que chegam a oito metros do chão. Segundo Gabriela Rezende, coordenadora do Programa de Conservação do Mico-Leão-Preto, a tecnologia permite um monitoramento não invasivo, funcionando 24 horas por dia sem interferir na rotina da floresta ou causar estresse aos animais.

O estudo é realizado na região do Pontal do Paranapanema, no interior de São Paulo, onde o IPÊ desenvolve pesquisas há mais de 40 anos, especialmente no Parque Estadual Morro do Diabo. Em 2024, cinco indivíduos foram retirados do parque e soltos em um fragmento florestal isolado para fortalecer a população local e promover a diversidade genética.

Para a pesquisadora Maria Carolina Manzano, o nascimento de filhotes é o principal indicador de sucesso dessas ações de manejo. “O nascimento mostra que a população está saudável o suficiente para se reproduzir. Em populações extremamente ameaçadas, cada novo indivíduo representa uma porcentagem significativa para a sobrevivência da espécie”, explica.

Proteção do ecossistema

Além de acompanhar o mico-leão-preto, as câmeras registraram outras espécies que compartilham o mesmo ambiente, como famílias de gambás e macacos-prego. Os pesquisadores destacam que o mico-leão-preto atua como uma “espécie-bandeira”: ao investir em sua conservação e na preservação de seu habitat, todo o ecossistema e as demais espécies que dependem dele são beneficiados.

O mico-leão-preto chegou a ser considerado extinto na década de 1970, mas os esforços contínuos de conservação têm sido fundamentais para afastar o perigo de desaparecimento definitivo da espécie. O local exato onde o filhote foi registrado é mantido em sigilo para garantir a proteção dos animais.



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