Já imaginou ser um jogador profissional na Europa e poder ir aos jogos de patinete ou bicicleta? Essa é a vida de Ricardo Friedrich, goleiro do Malmö, da Suécia. O brasileiro foi o primeiro capitão estrangeiro do Bodø/Glimt, que joga, nesta terça-feira (17), a partida de volta das oitavas de final da Champions League, contra o Sporting. A transmissão começa às 13h30 (de Brasília), ao vivo e somente na TNT e na HBO Max.
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Ainda que o Bodø/Glimt seja estreante na Champions League, a boa campanha do time não é, de todo, uma surpresa. Ricardo Friedrich revelou que, desde sempre, a equipe joga na formação 4-3-3, com um futebol ofensivo. Além disso, ele destaca a influência de Bjørn Mannsverk, “mental coach” do time e ex-piloto de caça da Força Aérea Real da Noruega.
Ele dá outra visão de como lidar com as pressões, com as cobranças internas. A postura que o Bodø/Glimt joga contra qualquer time, em qualquer lugar, é de se admirar.
O ex-militar chegou ao Bodø/Glimt junto com Ricardo Friedrich, em 2017, quando o clube havia acabado de ser rebaixado, em pleno centenário. O goleiro revela que quem lhe deu oportunidade foi Kjetil Knutsen, atual treinador do time, que era auxiliar técnico. No mesmo ano, o time foi campeão da segunda divisão e retornou à elite do futebol norueguês. Ao ser perguntado se já esperava, há nove anos, que o time chegaria ao patamar atual, Ricardo foi sincero e revelou conversas com seus ex-companheiros:
Eu sou um cara muito sonhador, mas não imaginava que chegariam nesse nível. Eles sempre me falam que estão vivendo um conto de fadas.
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Em 2019, Ricardo Friedrich foi escolhido como capitão do Bodø/Glimt. Ele foi o primeiro estrangeiro da história do clube nessa função, que é tradicionalmente ocupada não só por noruegueses, mas por aqueles nascidos no norte do país. Foi naquele ano, considerado pelo goleiro o melhor de sua passagem por lá, que ele viveu um dos jogos mais marcantes de sua carreira:
Se o Bodø/Glimt vencesse, estaria classificado para os playoffs da Europa League. Suspenso por ter levado um cartão amarelo na partida anterior, Ricardo Friedrich foi convidado pela torcida a assistir ao jogo na arquibancada. No final do jogo, o time fez o gol que sacramentou a vitória, o goleiro não se conteve e invadiu o campo para comemorar com os companheiros. Ele conta que os seguranças demoraram para perceber e foram atrás para retirá-lo, mas um dos artilheiros do time não deixou:
O Jens Petter Hauge foi quem me protegeu, disse ‘não vão tirar o Ricardo do campo’.
Momentos como esse levaram Ricardo à conclusão de que a vida de um jogador no Brasil é completamente diferente da vida na região nórdica. Vida à qual o goleiro admite estar completamente adaptado com sua família:
Aqui, o atleta é visto como um cidadão normal. Eu ia para os jogos de bicicleta, de patinete, me sentindo livre.
A maior inspiração de Ricardo para seguir seus sonhos no futebol foi seu irmão mais velho. O também goleiro Douglas Friedrich passou a maior parte da carreira no Brasil, enquanto o caçula foi desbravar o futebol do norte europeu. Lá, Ricardo conheceu uma nova cultura, um novo estilo de jogo e teve a experiência de enfrentar grandes nomes do futebol mundial, como Erling Haaland. Além disso, foi fundamental no ressurgimento do Bodø/Glimt, que hoje é a sensação da Europa.





