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quinta-feira, outubro 15, 2026
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Atleta de vôlei de praia, Anderson Melo é vítima de homofobia em quadra



O atleta brasileiro Anderson Melo, de 32 anos, foi hostilizado com ataques homofóbicos durante a etapa de Recife do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia. O caso aconteceu na última quinta-feira, 14, na Praia do Pina, na capital pernambucana. O atleta, que é carioca, registrou um boletim de ocorrência na 16ª delegacia do Rio de Janeiro.

Vídeos publicados por Anderson em seu próprio perfil no Instagram, mostram momentos em que é possível ouvir gritos como “bicha”, “muito pintosa”, “usa calcinha”, entre outros vindos da arquibancada.

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Naquele momento, eu deixei de ser o Anderson jogador e virei o Anderson ser-humano e vi o tamanho que estava aquele absurdo”, disse Anderson à TNT Sports Brasil.

Anderson conta que começou a escutar algumas falas homofóbicas logo no começo do jogo e chegou a chorar em quadra, mas demorou para reagir.

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Eu estava tentando vencer o jogo, mas estava sendo derrotado pela torcida, porque a cada grito, a cada ofensa, eu me sentia mais vulnerável. Durante o jogo, eu chorava! Chegou um momento que eu olhei para o meu parceiro e falei “você tá escutando?” e ele falou “eu tô”.

A virada de chave aconteceu ao fim do primeiro set, quando o atleta Léo Vieira entrou em quadra e sugeriu: “Anderson, para o jogo, já ultrapassou todos os limites”. Anderson, então, foi até a árbitra da partida informar o ocorrido. Segundo ele, ela alegou já estar incomodada com os gritos vindos da arquibancada desde o início, mas só poderia fazer algo caso a vítima se manifestasse.

Os representantes da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) presentes na partida foram acionados, mas o jogo seguiu. Ao final, um deles disse a Anderson que dois guardas municipais foram acionados, mas não foi possível identificar as pessoas envolvidas nos ataques.

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Eu ainda estou tentando digerir tudo que aconteceu. Estou melhor do que antes, por todo o apoio que estou recebendo, mas, se eu falar que estou bem, eu vou estar mentindo porque machucou muito”, disse Anderson à TNT Sports Brasil.

Uma conhecida de Anderson chegou a confrontar uma das pessoas que estavam gritando na arquibancada: “Você está cometendo um crime!”, disse a moça. A resposta foi: “Um crime? Eu também sou gay, isso não é crime!”

Em sua publicação no Instagram, Anderson expôs apenas seis dos mais de 20 vídeos que ele mesmo selecionou, cortou e legendou, com a ajuda da comissão dos atletas.

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Era como se eu tivesse revivendo tudo aquilo e machucou muito. Eu pensava: ‘eu passei por isso e eu não fiz nada’, eu demorei a entender o que estava acontecendo.

Veja o post:

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Anderson recebeu muitas mensagens de solidariedade em suas redes sociais e destacou o apoio da ex-atleta olímpica e campeã mundial de vôlei de praia Maria Elisa, que o incentivou a fazer a publicação. Além da ministra Anielle Franco, da Tarciana Medeiros, responsável do Banco do Brasil – que dá nome ao circuito nacional de vôlei de praia – e da senadora Leila Gomes, quem acionou ao Ministério Público.

Em nota, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) lamentou o ocorrido e alegou que também vai encaminhar o caso para o Ministério Público.

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A CBV apurou os fatos, reviu as imagens da partida, conversou com a arbitragem e reuniu todas as informações necessárias para, neste sábado, protocolar um boletim de ocorrência em uma delegacia de Recife. O caso também será encaminhado ao Ministério Público local e a CBV acompanhará todos os desdobramentos”, diz um trecho da nota.

Além disso, três responsáveis da CBV já entraram em contato com Anderson: Radamés Lattari, presidente, Guilherme Marques, gerente da Unidade de Vôlei de Praia, e José Virgílio, diretor de relações institucionais.

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A gente precisa entender que isso não pode voltar a acontecer. Que os atletas e a CBV estejam preparados para botar um fim em qualquer tipo de discriminação. Meu maior sentimento é que as pessoas que cometeram esse crime sejam identificadas e que elas paguem pela lei. Espero que outro Anderson atleta ou outro Anderson cidadão não passem pelo que eu passei, porque dói na alma e dói no coração e ninguém tem o direito de magoar outra pessoa por questão de gênero”, disse Anderson em seu recado final à TNT Sports Brasil.



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