18.5 C
Brasília
segunda-feira, maio 25, 2026

TCU ajudou governo a costurar projeto para retomar obras no exterior, diz diretor do BNDES à CNN


O diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Luis Gordon, afirmou em entrevista à CNN que o Tribunal de Contas da União (TCU) ajudou o governo a formular o projeto de lei que retoma financiamento de obras no exterior.

“Enviamos o projeto ao Congresso Nacional para que haja um debate amplo, com transparência. O texto foi formulado em parceria com o TCU, que foi um grande parceiro na construção, fez recomendações que colocamos no projeto”, disse.

Uma das regras sugeridas pelo TCU e adicionadas estabelece que países inadimplentes com o governo não vão poder ser credores, impedindo novos financiamentos. O crédito poderá ser retomado quando houver formalização de renegociação da dívida.

Atualmente, Venezuela, Cuba e Moçambique devem cerca de US$ 463 milhões (cerca de R$ 2,26 bilhões) ao Brasil. Foram financiadas, por exemplo, obras no metrô de Caracas, na Venezuela, e no Aeroporto de Havana, em Cuba.

Ainda sobre melhorias nesta governança, Gordon afirmou que o processo terá mais transparência. O BNDES precisará manter atualizadas e disponíveis ao público, em sua página eletrônica, informações financeiras sobre os contratos.

Além disso, a ideia é de que o Banco vá à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal anualmente prestar contas sobre as exportação que a instituição está apoiando.

Este tipo de crédito foi praticamente interrompido em 2016, na esteira da Operação Lava Jato, e foi pivô de debate político nas últimas eleições presidenciais. O diretor defendeu as normativas e governança do Banco.

“Ao longo dos últimos anos, o Banco foi se aperfeiçoando em suas normativas. Falaram que iriam abrir a caixa-preta, e nada foi achado. O que acharam foi uma instituição séria e capaz de entregar o financiamento e regras bem definidas. E nada se achou em relação à caixa-preta”, disse.

O diretor ainda comentou proposta em tramitação no Congresso que estabelece a necessidade de o Legislativo autorizar este tipo de operação. Ele indicou que este modelo não existe “em nenhum outro país” e que fere a “liberdade empresarial”.

Apoio à exportação e neoindustrilização

Gordon destacou que esta medida faz parte da agenda de neoindustrialização do terceiro governo Lula e que é uma prioridade da gestão. Indicou que o Executivo quer que as empresas brasileiras exportem mais, desde produtos aos serviços digitais, e — os polêmicos — de engenharia.

“As empresas brasileiras que querem crescer, ganhar escala, competitividade, precisam exportar. 0,38% das empresas brasileiras exportam e geram 15% dos empregos. Empresas exportadoras são mais inovadoras e mais competitivas”, disse.

Ele defendeu a operação como superavitária. Disse que do governo indicam que, entre 1991 e 2022, o BNDES apoiou exportações em R$ 10,5 bilhões e recebeu cerca de R$ 13 bilhões.

A ideia do governo é de que este seja um debate “tranquilo” no Congresso, mas vê possibilidades de aprová-lo já no ano que vem.

Veja também: Governo quer retomar BNDES financiando obras no exterior



Source link

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

NOTÍCIAS