19.5 C
Brasília
quinta-feira, abril 30, 2026

Corinthians: Duilio lembra ‘cheirinho’ no Flamengo e abre o jogo sobre dívida


Vivendo os últimos dias da gestão à frente da presidência do Corinthians, Duilio Monteiro Alves convocou veículos da imprensa nesta sexta-feira (10) para “passar a limpo” os feitos e os percalços no comando do clube do Parque São Jorge.

Entre os pontos apontados como um avanço expressivo, o aumento da arrecadação foi comemorado pelo dirigente.

“O Corinthians tinha uma dívida muito alta e uma receita que era de recorde de R$ 470 milhões anuais e uma dívidas de R$ 949 milhões. Quando eleito, deixei isso claro que o título dessa gestão seria de pagar contas. Existia uma pressão muito grande. Existia um campeonato de balanço, começou a se falar muito de números. O torcedor começou a se interessar por isso”, disse o dirigente em questão levantada pela jornalista Lilly Nascimento, repórter da ESPN.

“Por isso a necessidade de explicarmos isso. Tínhamos que aumentar a receita e foi o que fizemos. Trouxemos profissionais, tivemos o Colagrossi, o Corazza, muitos profissionais de marketing e mercado. Por isso o Corinthians conseguiu inverter isso. Hoje a nossa receita é maior do que a dívida e isso representa muito no mercado financeiro”.

“Devemos chegar em uma receita de R$ 1 bilhão. Tem números que não passaram ao conselho, mas são previsões e que teremos no final do ano. E a dívida é de R$ 850 milhões, até menos. Muito se fala em uma dívida com valor único. Os juros quando eu entrei era de 4% e foi para 18% (13,75). A dívida cresceu, mas foram pagos esses juros. Foram pagos mais de R$ 300, R$ 400 milhões”.

“Infelizmente, não ganhamos títulos. Mas, tivemos um time mais competitivo. Infelizmente, quando a bola bate na trave e entra, está tudo certo, e quando bate na trave e saí está tudo errado. É assim que analisa futebol hoje”.

Questionado sobre o aumento dos gastos no departamento do futebol, o dirigente foi enfático ao apontar o pagamento de juros sobre a dívida como um problema no período.

“A conta não fecha por que pagamos mais de R$ 300 milhões de juros. A venda de atletas foram pouco mais de R$ 175 milhões, nem 20% da receita. Muitas vezes, os times vivem de venda de atletas. Mesmo sem as vendas, fecharíamos praticamente no azul. Por isso nos preocupamos com outras receitas para que o clube não ficasse refém da venda de atletas”, afirmou o dirigente, lembrando ainda os pagamentos direcionados à Neo Química Arena.

“Existe um Fair Play que cumprimos, dentro de uma eficiência obrigatória. Isso nunca existiu no clube, estamos fazendo a lição de casa direito. Onde estamos aqui na Neo Química Arena, pagamos R$ 75 milhões só esse ano, além dos juros que falamos. Tivemos os ganhos jurídicos nesse período. Reduzimos a dívida nesse período. Ela está controlada, não subiu, o acordo da Caixa está em dia”.

“Vamos pagar mais R$ 25 milhões ainda. Nosso objetivo era não gastar mais do que recebia e estamos em 74% disso. Nós recuperamos muito o clube. Em São Paulo, ninguém nunca teve uma receita de R$ 1 bilhão. Não sei se existe no mundo um time que dobrou sua receita em um prazo de três anos”.

Questionado sobre a comparação com outras potências nacionais do período como Flamengo e Palmeiras, Duilio voltou a afirmar que a análise passa pelas conquistas em campo, ainda que com uma evolução na gestão do futebol alvinegro.

“Os times que você falou ganharam no campo. A dívida do Palmeiras deve estar no mesmo patamar da gente. Organização igual a essa…o Flamengo fez a lição de casa há muito tempo, tentaram expulsar ele [Eduardo Bandeira, ex-presidente] do conselho, foi chamado de ‘cheirinho’. Mas hoje o clube está aí. Era o que o Flamengo precisava naquele momento”.

“Fortaleza faz um belo trabalho, o Athletico-PR. Falavam muito do Atlético-MG, isso era empréstimo. O Corinthians tem muito crédito pela relação receita/despesa. Nosso crédito está aí, só ver o número de empresas que investiram aqui. Não tivemos títulos dentro de campo. Nossos dois primeiros anos não foram ruins, final de Copa do Brasil, infelizmente não ganhamos o título”.

“Nesses últimos três anos a diferença é só título. Administrativamente é muito bem feito. Todo mundo fala que ninguém sabe os números do Corinthians, falam em caixa preta, é só acessar o site, na sessão transparência…não perde nada para Palmeiras e Flamengo. Mas, em campo, fomos pior”.

“Nunca falei que ia encerrar as dívidas. Hoje ela está administrada. Isso também é um problema. Muito se fala sem conhecimento. A dívida está administrada. O Corinthians não tem esse problema de dívida. O torcedor compra um apartamento parcelado e paga em dívida. Ele tem dívida, mas é a forma dele comprar. Como é a vida de qualquer cidadão. Se estiver equalizada, está em dia. Não precisa dar lucro, não pode dar prejuízo”.

Duilio Monteiro Alves foi eleito em novembro de 2020 para ser o 30º presidente da história do Corinthians, com mandato para o triênio 2021-2023.

Diretor-adjunto de futebol em 2011, sob o comando de Roberto de Andrade na presidência, ficou no cargo até o início de 2014, quando entrou em rota de colisão com o recém-eleito Mario Gobbi.

O cartola retornou ao departamento em 2018, no segundo mandato de Andrés Sanchez, como diretor de futebol. Ele deixou o posto em meados de 2020 para concorrer ao cargo presidencial com o aval de seu antecessor.

Primeiro presidente a não conquistar títulos pelo futebol profissional do clube desde Roberto Pasqua (1985 e 1987), Duilio Monteiro Alves participou como diretor das conquistas da inédita Libertadores de 2012 e do bicampeonato no Mundial de Clubes da Fifa, no mesmo ano. Ele ainda fez parte do departamento de futebol em outros cinco títulos: Campeonato Brasileiro (2011) e Campeonato Paulista (2023, 2018 e 2019).

Próximos jogos do Corinthians:



Source link

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

NOTÍCIAS